Filha do Tibete de Soname Yangchen

Crónica de uma Morte Anunciada de Gabriel Garcia Marquez

Sapatos de Rebuçado de Joanne Harris

Dança, Dança, Dança de Haruki Murakami

Como Água para Chocolate de Laura Esquivel

As Três Sereias de Irving Wallace

Laranja Mecânica de Anthony Burgess

Expresso de Berlim de António Andrade de Albuquerque

Lição de Tango de Sveva Casati Modignani

Rio das Flores de Miguel Sousa Tavares

Transgressão de Uzma Aslam Khan

Fortaleza Digital de Dan Brown

A Ilha das Trevas de José Rodrigues dos Santos

Viver para Contá-la de Gabriel Garcia Marquez

A Casa Quieta de Rodrigues Guedes de Carvalho

Fúria de Salman Rushdie

Paris de Marcos Giralt Torrente

O Perfume - História de um assassino de Patrick Süskind

O Aroma da Goiaba de Gabriel Garcia Márquez e Plinio Apuleyo Mendoza

A Casa das Sete Mulheres de Leticia Wierzchowski

Bel-Ami de Guy de Maupassant

Romeu e Julieta de William Shakespeare

Inés da Minha Alma de Isabel Allende

Balzac e a Costureirinha Chinesa de Dai Sijie

Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez

A Reliquia de Eça de Queiroz

Diálogo de Vultos de Fernando Ribeiro

Kafka à beira-mar de Haruki Murakami

O Amor é Fodido de Miguel Esteves Cardoso

A Cor da Felicidade de Wei-Wei

Cemitério de Pianos de José Luís Peixoto

O Livro das Ilusões de Paul Auster

Uma Viagem Espiritual de Billy Mills / Nicholas Sparks

O Nome da Rosa de Umberto Eco

Cisnes Selvagens – Três Filhas da China de Jung Chang

Memorial do Convento de José Saramago

A Fórmula de Deus de Jos é Rodrigues dos Santos

Timbuktu de Paul Auster

A Cor da Paixão de Sveva Casati Modignani

Pressagio de Fogo de Marion Zimmer Bradley

Onze Minutos de Paulo Coelho


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Fotografias literárias...

vistas por diferentes objectivas.


Filha do Tibete

Soname Yangchen

Este livro é uma autobiografia de Soname Yangchen, uma Tibetana a viver em Londres, cantora de worlmusic.

Soname, antes de se tornar uma pessoa com possibilidades de escrever uma autobiografia, teve uma vida de escravidão e de sofrimento.

Nasceu no Tibete e adorava o ar livre, as montanhas, a liberdade!

Com a ocupação do Tibete pelos Chineses, os Tibetanos começaram a mandar os seus filhos para as cidades grandes de modo a protege-los da fome, maus tratos e violações dos exércitos Chineses.
Aos 9 anos Soname foi entregue a uma família para lhes fazer todos os trabalhos domésticos, foi escravizada e maltratada. Privada da sua infância, obrigada a dormir numa esteira no chão da cozinha, a lavar, carregar, encerar, tudo o que se possa imaginar num tempo em que não haviam maquinas, privada do carinho da sua família, durante 5 anos, viveu o inferno.

Com 13 anos esta rapariga cheia de sonhos fugiu de encontro ao Dalai Lama.
A sua experiência durante estes tempos é completamente chocante e difícil de imaginar.

De leitura obrigatória, este é um livro duro que nos mostra a realidade do sofrimento de um povo ostracizado.

22 Julho 2008

Ana Gabriela Sousa



Crónica de uma Morte Anunciada

Gabriel Garcia Marquez

"No dia em que iam matá-lo Santiago Nasar levantou-se às 5:30 da manha…"
Assim começa este livro. Pelo fim.

Santiago Nasar, um homem das Caraíbas, depois de uma noite de farra, é morto, esquartejado, à porta de sua casa.
Acusado por Ângela Vicário de tê-la desonrado, Santiago é morto à facada pelos irmãos gémeos de Ângela, de modo a honrarem a sua família.

Este é um livro contado por um personagem mistério, nunca chega a saber-se o seu nome, que reuniu todos os depoimentos e testemunhos para poder escrever esta crónica.

Sobre Santiago Nasar também se sabe pouco, apenas por onde anda, com quem anda e que roupa veste nos momentos que precedem a sua morte. Nunca sabemos se ele tem a noção que vai ser morto, como toda a gente da Vila, nem o que lhe vai na mente antes e durante a tragédia.
Mas o verdadeiro mistério deste livro reside no facto de saber quem, verdadeiramente, desonrou Ângela. Quem estará ela a encobrir ao acusar Nasar? Algum amor escondido?

Bem ao jeito de Gabriel, com nomes de personagens que se repetem em outros livros dele, este é o livro que Gabriel Garcia Marquez considera o seu melhor!
Eu gostei mais de "Cem Anos de Solidão".

18 Julho 2008

Ana Gabriela Sousa



Sapatos de Rebuçado

Joanne Harris

Anouk e Pantoufle são personagens que há uns anos preencheram o nosso imaginário de fantasia e magia, em “Chocolate”.
Eles voltaram, com Vianne, Rosette, Roux e mais duas novas personagens Zozie e Thierry.

Depois de terem abandonado a aldeia Lansquenet-sur-Tannes, Vianne e as filhas procuram refúgio em Paris, em Montmartre. Vivem uma vida pacífica, calma, pacata e integrada na sociedade da pequena localidade Parisiense. Moram por cima de uma “chocolaterie” onde Vianne está empregada.
A morte da sua patroa e a chegada de Zozie trazem os ventos de mudança de que Vianne tanto medo tem.
Zozie, a mulher dos sapatos de rebuçado, é uma personagem invejosa, traiçoeira e manhosa que tudo vai fazer para roubar a vida de Vianne.

É um livro um tanto insípido, muito descritivo e com pouca acção. Narrado por três personagens, Anouk, Vianne e Zozie, em que cada capítulo nos mostra a sua visão dos acontecimentos e tende a ser repetitivo e maçador.

16 Julho 2008

Ana Gabriela Sousa



Dança, Dança, Dança

Haruki Murakami

Este foi um livro que nem gostei nem desgostei, que me deixou indiferente. Acho que daqui a uma semana já nem me lembro da sua estória!
Depois de ler “Kafka à beira-mar”, este livro, do mesmo autor, deixa-nos meio desapontados porque a fantasia não é tão aguda, a própria estória é mais sólida, mais real, menos rebuscada. Não deixa o leitor a pensar, a descobrir por ele próprio o que poderá estar a acontecer, ou a iludir-se com o facto de estar entender o decorrer da acção, porque no caso deste livro está mesmo a entender tudo!
Este livro é bem mais terra-a-terra!

E se isso é bom pelo lado em que é mais fácil de ler e de compreender, por outro lado é mau porque não nos intriga, não nos faz pensar, imaginar, sonhar e até criar perspectivas diferentes de outros leitores. Afinal de contas é essa a ideia de um livro, certo?
Vamos começar pelo título do livro… pouco ou nada tem a ver com o argumento.
Este livro conta a estória de pessoas solitárias e problemáticas que se encontram ocasionalmente e que criam uma espécie de rede entre si e à volta de várias mortes.
O narrador, do qual não se sabe o nome, é um homem de 34 anos divorciado que escreve artigos para revistas das mais variadas especialidades, desde cultura, a comida, passando por viagens, etc. É uma pessoa solitária e que vive atormentado pela morte de um amigo e pelo “chamamento” de uma mulher que conheceu há alguns anos atrás.

Depois de se deslocar ao local onde conheceu essa mulher, Kiki, ele vai encontrar-se com o Homem-Carneiro que lhe indicará que o rumo da sua vida é tão fácil como deixar-se levar pela “Dança”, deixar-se levar pelos acontecimentos, sem forçar nenhuma situação.
E é mesmo isso que ele faz, perseguindo pistas de assassinatos, procurando e dando companhia e amor ao longo de todo o livro.
Este livro tem uma coisa realmente bonita: a amizade de um homem de 34 anos com uma miúda de 13, que dá suporte a toda a narrativa.

Continuo com curiosidade em relação a este autor e vou ler mais livros seus… esperando não me desiludir e encontrar mais “kafkas à beira-mar”.

Nota: Devo referir que este livro é uma continuação de “Em busca do Carneiro Selvagem” que eu não li, mas que, acho, não é importante para entender a estória.

24 Junho 2008

Ana Gabriela Sousa



Como Água para Chocolate

Laura Esquivel

Não sei bem porque razão, mas o título deste livro nunca me seduziu.
Se não fosse a revista “Sábado” a oferecê-lo, acho que nunca o teria comprado.
Isto só prova como nos podemos enganar.

Este é um livro fabuloso. Uma grande estória de Amor.
No meio de comida e sempre a falar de comida e a relacionar a comida com todos os factos presentes no livro, Laura Esquivel, conta-nos uma estória de um amor impossível passada no México numa sociedade burguesa.

Tita é uma miúda, como tantas outras, apaixonada pela vida e por Pedro. Mas Tita tem o seu destino marcado por uma tradição familiar. Ela é a filha mais nova e cabe-lhe o papel de filha “solteirona” para que possa cuidar de sua mãe até à morte.
Tita e Pedro vão fazer de tudo para ficarem juntos e é com muito amor e emoção que a autora descreve esta luta.

Um livro cheio de magia, misticismo, maus olhados e bênçãos muito à boa maneira dos autores Sul Americanos, como já nos habituaram Isabel Allende, Paulo Coelho e Gabriel Garcia Marquez, só para referir como exemplo.

Aproveitem este livro e sonhem, pois nada é impossível!

27 Maio 2008

Ana Gabriela Sousa



As Três Sereias

Irving Wallace

Um clássico. Deveria fazer parte do currículo de todos.

Este livro revela-nos um estudo sobre comportamentos sexuais, as dificuldades de uns perante o sexo e a simplicidade com que outros encaram este acto da natureza humana.

Maud Hayden, como famosa antropóloga, é convidada a estudar uma tribo primitiva na Polinésia.

Convida meia dúzia de especialistas nas mais variadas áreas: psicanálise, saúde, fotografia, biologia, … para a acompanharem e ajudarem no estudo que pretende fazer.

Cada um dos participantes nesta experiência tem um passado mais ou menos desastroso e complicado a nível sexual. Numa sociedade urbana, competitiva, exigente como os Estados Unidos, cada um destes elementos vive momentos de grande ansiedade, pressão sexual, vaidade, orgulho, influências da própria sociedade na sua vida íntima.

Nas Três Sereias cada um destes elementos vai viver experiências únicas que vão mudar para sempre as suas vidas.

Este livro ajuda-nos a perceber que a vida deveria ser vivida de um modo bem mais simples e primitivo. Só assim aproveitaríamos ao máximo os grandes prazeres que ela nos proporciona.

28 Março 2008

Ana Gabriela Sousa



Laranja Mecânica

Anthony Burgess

Eu não vi o filme. E portanto não fazia ideia do que me esperava neste livro.

Começou por me repugnar, enjoar e quase desisti. Muita violência, gratuita, sem razão, sem propósito, só pelo prazer de fazer o mal, de magoar e de humilhar. O gosto de 4 arruaceiros de ver sangue.

Pensei que ia ser assim o livro todo. Mas não! A um quarto do livro o bem vence o mal, mas não há bem que sempre dure…

Este livro é uma lenda. Imortalizado pela obra de Stanley Kubrick no cinema, que agora estou ansiosa por ver. Um filme de culto, dizem!

Alex é um rapaz de 17 anos extremamente violento, o que nós costumamos chamar de arruaceiro, ou algum termo pior, que ainda tenho dificuldade em definir.

Ele e os seus “druncos” espalham violência na noite. São capazes de bater até à morte num simples velho que sai de uma biblioteca, numa mulher que vive sozinha com seus gatos, ou quem quer que se atravesse no seu caminho. São capazes de violar crianças. São capazes de espancar para roubar meia dúzia de tostões. Deixam as pessoas a morrer num canto qualquer, sem roupas, só pelo prazer da humilhação.

Mas um dia o vento muda e o Alex “vai dentro”. As coisas mudam de tal modo que há uma parte do livro em que até tenho pena do pobre Alex, que espancou e maltratou tantas pessoas inocentes.

É realmente uma obra marcante e muito visionária.

07 Fevereiro de 2008

Ana Gabriela Sousa



Expresso de Berlim

António Andrade de Albuquerque

Este é um excelente livro.

É um livro histórico de acção, com uma grande componente de amor, amizade, cumplicidade e solidariedade.

Passado durante a 2º guerra mundial esta é uma estória de espiões e da procura pela liberdade.
Em 1943 João Kessler, Português a viver em Lisboa, professor universitário, recebe uma proposta de um desconhecido para entrar, como apoiante nazi (que não é), na Alemanha e libertar duas pessoas presas num campo de concentração.

A proposta é irrecusável, dadas as contrapartidas, mas também muito arriscada.
Mas Kessler embarca na aventura que vai mudar a sua vida.

Centrado em Portugal, passando pela Alemanha nazi, França ocupada, Suiça neutra e Inglaterra aliada, este livro mostra-nos o genocídio que foi a ocupação da Europa pelo nazismo, as atrocidades cometidas, a falta de respeito pela vida humana e a resistência, força e inteligência com que os Aliados ganharam a guerra.

São 750 páginas de acção ininterrupta! É um livro viciante que não se consegue parar de ler.
Um livro muito bem escrito onde o autor consegue manter o leitor colado durante horas. Fiquei com curiosidade de ler outros livros seus.

28 Janeiro 2008

Ana Gabriela Sousa



Lição de Tango

Sveva Casati Modignani

Sveva já nos habituou a isto… boas estórias, belíssimos argumentos. Escreve sempre sobre mulheres. O papel das mulheres na sociedade, as emoções familiares, os amores, as crises conjugais, educação e protecção dos filhos, o emprego, os patrões, a politica,…

Neste livro, esta autora Italiana, cujos romances que centram sempre no seu país, conta-nos duas estórias distintas de duas mulheres de gerações consecutivas, mas cujo passado tem as suas semelhanças e descobrem por fim que passaram as duas momentos muito difíceis enquanto crianças e adolescentes, provações que marcaram para sempre as suas vidas.

Giovanna, uma mulher de 35 anos, lindíssima, mulher da alta sociedade, negociadora de arte, rica e muitíssimo egoísta.

Matilde, 75 anos, velhíssima, pobre, vive sozinha com o seu cão e espera que a morte a leve.

Duas mulheres que se encontram para descobrirem, uma a aprender a amar e a ser solidária e a outra a receber a sua última ajuda de uma vida cheia de ódios e de grandes amores.

É um livro de amor e de grandes provas de amizade, como só esta autora nos sabe descrever.

07 Janeiro 2008

Ana Gabriela Sousa



Rio das Flores

Miguel Sousa Tavares

A expectativa era grande. Depois de uma grande obra como o "Equador" , os seus leitores esperavam pelo novo livro de MST com um misto de curiosidade e reserva.

Eu gostei do livro.

Mas não amei!

Quando acabei de o ler senti um grande vazio, uma certa desilusão e uma sensação de que li mais um livro, só isso, mais um!

MST conta-nos uma estória Alentejana. Uma família de fazendeiros de Estremoz constituída por uma mãe, como todas as mães, zelosa, dedicada, amiga, sempre pronta para ir em defesa dos seus filhos; Pedro, o filho fazendeiro, dedicado à terra, embrutecido pelo trabalho e pela lide com o gado; Diogo, o menino de "bem ", culto, egoísta, que gosta de viajar e é completamente desprendido dos laços da terra e familiares.

A narrativa concentra-se entre os anos de 1920 e 1945, épocas de Fascismo por toda a Europa, guerras e muitas privações, que nunca chegaram à fazenda dos Ribeira Flores.

É uma estória tão simples, tão simples que estamos sempre à espera que aconteça algo … mas não acontece… Tudo segue o seu rumo natural e é essa falta de sabor, de picante, de acção, de suspense que falta a este livro.

Entretanto também há no livro algumas coisas que achei um pouco forçadas, como um português nacionalista que vai lutar pelo Franco na Guerra civil de Espanha. Um filho de 10 anos que vive os 5 anos seguintes separado da mãe só porque não consegue transporte do Brasil para Portugal. E algumas outras passagens que não vou aqui contar, para não desvendar o pouco de interesse que este argumento possa ter.

Mas este livro tem coisas fantásticas, como as descrições minuciosas da fazenda, da caça, da comida, dos sentimentos, das emoções, da guerra, do amor.

Para mim, mais do que um romance é um livro histórico. Quero concentrar aí a minha posição. Há muitos diálogos de discussão politica, o que ajuda a analisar os dois lados das facções e as razões para a sua defesa. O enquadramento da estória é perfeitamente descrito com os detalhes pormenorizados da época em que Salazar comandava o pais e o povo, quando Hitler tomou o poder na Alemanha e começou a devastar a Europa, a posição da Inglaterra e os compromissos de Portugal com esse pais liberal e democrático, a guerra civil em Espanha, as indefinições de poder e de liberdade no Brasil e toda a envolvência mundial.

Eu gostei, mas queria melhor.

03 Janeiro 2008

Ana Gabriela Sousa



Transgressão

Uzma Aslam Khan

A seda é o mote deste livro.

Riffat é uma mulher independente que cria bichos-da-seda e produz esse fino e delicado tecido numa grande quinta em Karachi no Paquistão.

Dia, filha de Riffat, é uma adolescente cheia de sonhos e de ideias de independência e de amor.

Daanish é um Paquistanês na América a estudar jornalismo.

Anu, mãe de Daanish, é uma mãe muito dependente do seu filho e que só pensa em arranjar-lhe uma esposa digna e de boas famílias.

Quando Daanish volta a Karachi para o funeral do seu Pai, todas estas personagens se ligarão e criarão uma história de amores desencontrados, de felicidades adiadas e de sonhos e ideias destronados pela força de uma sociedade muito conservadora.

É um livro muito suave, calmo, tranquilo, como a seda.

Para se ir lendo, sem pressas, de modo a absorver todos os factos e perceber e interiorizar a sociedade de um pais islâmico tão conservador em relação às suas mulheres.

19 Dezembro 2007

Ana Gabriela Sousa



Fortaleza Digital

Dan Brown

Para quem conhece os outros livros deste autor, o Fortaleza Digital é mais um. Apenas mais um.

É uma estória básica de uma infiltração de um vírus num super-computador da Nacional Security Agency Americana.
Um livro cheio de acção, que não se consegue parar de ler, como Dan Brown já nos habituou, mas muito previsível e com um desenlace até um pouco forçado, na minha opinião.

Neste livro são abordados temos muito actuais e pertinentes, como até onde vai a privacidade do cidadão contraposto com a necessidade de vigia de toda a informação trocada via e-mail de modo a evitar ataques terroristas, de modo a policiar tráficos de droga e outros crimes de importância mundial.

De todos os livros que li deste autor penso que este é o mais fraquinho, mas espero que o leiam e me convençam do contrário.

05 Dezembro 2007

Ana Gabriela Sousa



A Ilha das Trevas

José Rodrigues dos Santos

“A Ilha das Trevas” está classificado como um Romance. Eu classificaria-o como um interessantíssimo livro de História.

Rodrigues dos Santos diz que há ficção neste livro que escreveu em 2002, mas eu não vejo onde. Obviamente que há diálogos que partiram da imaginação do autor, mas todas as personagens são verdadeiras, existiram e passaram pelas situações descritas, todos os acontecimentos aconteceram nas datas referidas, Timor-Leste existe e viveu os tempos difíceis tão bem descritos nesta belíssima obra.

Para quem tem gosto pela história do nosso pais e nossas ex-colónias.
Para quem não conhece profundamente o que aconteceu em Timor-Leste aquando da invasão Indonésia em 1975.
Para quem não percebe muito bem o que se andou a passar por terras de “Tim-Tim” desde essa primeira invasão até ao dia do massacre do cemitério de Santa Cruz, momento em que o mundo se interessou por Timor e todos vimos as imagens na televisão daquela matança indiscriminada.
Para todos conhecerem melhor os meandros das relações diplomáticas entre os mais altos dirigentes do nosso mundo.

Este é o livro!

Este é um livro para todos.

Paulino é um cidadão Timorense, casado com Esmeralda e com dois filhos pequeninos.
Ele e a sua família vivem intensamente toda a tragédia que varre o país.
Quando tudo chega ao fim, Paulino guarda um segredo. E está a morrer por dentro. Tem de revelar esse segredo e tirar o bicho que o está a destruir.
Paulino personifica todo o cidadão Timorense que viveu massacres constantes e viu a sua família sofrer com o terror que os Indonésios impuseram neste país.

Ana Gabriela Sousa

14 Novembro 2007



Viver para Contá-la

Gabriel Garcia Marquez

Nesta sua bibliografia, Gabriel viaja essencialmente pela sua infância e adolescência prolongada.

Entre Aracataca, Barranquilha, Bogotá, do colo dos pais para o dos avós, do dos avós para o dos pais, do dos pais para o das putas da sua vida, de redacção em redacção de jornal, vivendo muitas vezes de esmola de amigos, Gabriel vive intensamente esta época da sua vida retratada neste livro.

Sempre rodeado de grandes amigos e sempre escrevendo os seus contos, as suas memórias, inspirando-se em passagens da sua infância, em personagens que o marcaram para sempre, em magias que existiram e que guarda como tesouros na sua memória e que são o sal e a pimenta dos seus livros hoje em dia.

É um livro de 600 páginas um pouco monótono e difícil de seguir devido aos inúmeros personagens e devido a Gabriel andar com a sua vida em círculos, mudando constantemente de cidade e criando amizades em cada terra que pisa, mas voltando a fazer sempre o mesmo tipo de actividades.

Este é um livro muito real e muito “terra-a-terra”. Falta-lhe o “tempero” de todos os outros seus livros, com a fantasia, a imaginação a que Gabriel nos habituou.

Eu esperava mais e melhor. Talvez já esteja a ficar muito exigente com este autor. Já li tantos livros dele, onde ele coloca tantas passagens da sua vida, que, provavelmente, esta biografia já não me traz nada de novo e por isso a achei meia enfadonha.

Ana Gabriela Sousa

06 Novembro 2007



A Casa Quieta

Rodrigues Guedes de Carvalho

“Quero acreditar que já não estarias em casa por alturas em que cheguei mas não sei dizer.”

Chorei na primeira página deste livro.
É uma obra inquietante, profunda, que mexe com os sentimentos e nos faz reflectir sobre a nossa própria existência.
Rodrigues Guedes de Carvalho toca em nervos sensíveis e faz-nos arrepiar.

Salvador é o nosso protagonista. Mas nesta estória o protagonismo é tomado por quem conta, quem vive os problemas.

A guerra colonial vivida na primeira pessoa por António, o louco!
Os conflitos de gerações. António e o pai, António e o filho, Salvador e o pai e Salvador sem filhos.
O Drama da infertilidade. O fim do mundo de Mariana com a infidelidade de Salvador.
As irmãs de Mariana longe, no Canadá. E Mariana sem filhos. Mariana sem pais.
Mariana com uma data fim. Como enfrentar a morte que se mostra em cada esquina? Mariana morta.
Salvador sem Mariana. António sem Eunice.
António e Salvador sem pai. Salvador sem filhos e António sem os ver.

Solidão.

Casa quieta.

“Provavelmente ainda te encontraria em casa mas como dizer. Nada de suspeito nada que me permita. Assegurar.”

Ana Gabriela Sousa

17 Outubro 2007



Fúria

Salman Rushdie

Salman Rushdie não pára de me surpreender, o meu primeiro contacto com a sua obra deixou-me abalada ao conhecer com mais pormenor os conflitos tão marcantes e tão recentes de Caxemira em “Shalimar, o Palhaço”, um livro bem perto da realidade.

O segundo livro que li de Rushdie foi “Versículos Satânicos”. Para mim foi um livro tão estranho e de difícil percepção, que muitas vezes não conseguia perceber onde acabava a mitologia e começava a realidade de cada um dos personagens. Às vezes penso que nunca existiu realidade naquele livro e que todas as personagens eram mitos, só para nos levar a reflectir entre o que é realmente o bem e o mal e que muitas vezes o mal se torna bem e vice-versa. Tenho de o reler.

Agora li “Fúria”, um livro escrito em 2001, numa época de prosperidade, exuberância e poder da América, época do desabrochar violento das novas tecnologias.

Malik Solanka, um Indiano com uma infância turbulenta, foge da sua vida em Inglaterra, da mulher e filho, sem uma única palavra, para a cidade do capitalismo, de modo a ser engolido pela loucura da metrópole.

É a estória de um homem, a passar por uma crise de meia-idade, que tem ataques de fúria e perde completamente o controlo de si próprio não se lembrando de nada do que se passa nesses momentos.

Um livro que toca em pontos fulcrais e críticos da nossa sociedade, como a clubes privados de sexo e sado masoquismo, movimentos punks e miúdos “fora-da-lei”, assassínios em série, programas de televisão que se tornam autênticas obsessões da sociedade, incesto, pedofilia, maus tratos, … Mas, bem analisado, é um livro que retrata essencialmente o amor, amor à Pátria, amor de Pai, amor de Amigo e amor de Amante.

Ana Gabriela Sousa

10 Outubro 2007



Paris

Marcos Giralt Torrente

Custou-me muito ler este livro. Custou-me não desistir e deixa-lo a meio para ler mais tarde. Custou-me não avançar linhas e lê-lo na diagonal.

É um livro deprimente. Que retrata tristeza, desamparo, solidão, angustia, medo e o vasto mundo da mentira.

É necessário estar com muito boa disposição e em bom momento para que não nos deixemos entrar nesta estória e para que não sejemos contagiados com a tristeza de um rapaz e sua mãe que vivem uma vida de silêncios e de solidão.

A razão da minha persistência com este livro é porque ele está muito bem escrito, todas as passagens do livro são de uma clareza e de tão perfeita descrição que dá-nos a sensação que conhecemos os sítios e as pessoas retratadas neste livro.

É um livro para ler com calma, tempo, e se for necessário parar a meio, ler outro e voltar mais tarde. Vale a pena ler com atenção todos os pormenores contados por um homem sobre a sua adolescência e tudo o que vai nos seus pensamentos, na altura e no momento em que o escreveu. A mente humana prega-nos muitas partidas e aqui estão descritas com um encanto fora do comum.

Ana Gabriela Sousa

26 Setembro 2007



O Perfume - História de um assassino

Patrick Süskind

Num mundo onde os sentidos valorizados são a visão e a audição; onde as primeiras e fulcrais impressões que registamos de alguém se centram no seu aspecto e no que ele nos diz e na forma de o dizer; onde ouvimos as bandas, vemos os concertos, lemos as críticas; onde até os livros se centram nestes sentidos, tendo uma função visual de grafismo/design, que nos atrai ou não, e, mesmo sem som, possuindo voz própria; neste mundo, Grenouille cheira, antes de ver.

Paris, século XVIII, lama + excrementos + epidemias + corpos em decomposição + alimentos podres + calor. Entre tal imundície, nasce uma criança sem cheiro: Jean-Baptiste Grenouille. Especialmente sensível aos odores, torna-se um especialista na arte de perfumista e conhece e descodifica um mundo inteiro de cheiros.
Obcecado pela busca da beleza extrema (não pelo estereótipo do corpo), procura incessantemente o perfume ideal, perfeito. Grenouille é puro e encerra em si a inocência de uma criança, mas é essa mesma pureza que, na sua jornada, o leva a cometer os crimes mais macabros sem o mínimo sentimento de ‘peso-na-consciência’ (já que não a tem). Simpatizamos, assim, com uma personagem infantil, sensibilizados pela sua história de vida, e acabamos mesmo por compreender e aceitar os seus actos mais monstruosos.

“O Perfume” é a história de dois marginais: o homem-Grenouille e o sentido-olfacto. Como leitor(a), acabei por me colocar do seu lado, contra um mundo plástico e insensível, criando mesmo uma maior sensibilidade aos odores (ou, pelo menos, prestando mais atenção). Ao caminhar na rua, já viro o olhar a um odor que me chama. Um velho que se cruza comigo no passeio. Um restaurante a abrir. Uma peça de roupa. Tudo cheira. Mal ou bem. E nenhum cheiro é igual. É como uma espécie de “impressão digital” olfactiva. O nosso cheiro é único. E o resultado da sua mistura com o perfume que usamos não deixa de ser único também, ainda que este último seja vendido aos milhares.

Tudo tem cheiro, tudo é uma mistura de elementos que, combinados, formam o cheiro que sentimos. E, no entanto, nós só vemos as cores. Há um mundo novo lá for a para ser explorado por quem acaba de ler “O Perfume”. E Patrick Süskind descreve esse mundo como muito poucos (d)escritores fizeram com paisagens visuais. As suas palavras são tão descritivas que permitem sentir exactamente o odor que delas emana.

Se tem os olhos cansados da repetição violenta de imagens, se as cores já lhe parecem todas as mesmas, se está cansado da padronização e uniformidade social, se está farto da vida monótona em que caiu, se procura novos horizontes e experiências, se deseja encontrar um mundo novo valorizado pela diferença e unicidade, se simplesmente gosta de ler, este livro é obrigatório.

Joana Soares

AVISO: “O Perfume” cheira mal.

Título original: Das Parfum – Die Geschichte eines Mörders
Autor: Patrick Süskind
Ano: 1985
Edição: 3ª, Lisboa, Novembro de 1987
Editora: Editorial Presença



O Aroma da Goiaba

Gabriel Garcia Márquez
Plinio Apuleyo Mendoza

Este livro escrito em 1982 e chegado a Portugal apenas em 2005 é uma entrevista que Gabo concede ao seu amigo Plinio. Dada a conhecida aversão de Gabo a entrevistas, Plinio sempre pensou que fosse um sonho difícil de alcançar, mas Gabriel Garcia Márquez aceitou o desafio com o intuito de que com esta entrevista se livraria para sempre de todas as outras.

Com esta entrevista Gabo fala das suas principais obras, o porquê daquele livro naquela altura, os anos que levou a começar e/ou a concluir um livro, a inspiração dos personagens na sua família e na sua infância, onde ele vai buscar a imaginação para os momentos mais fantásticos de cada um dos seus livros, a sua terra natal e toda a vida e gentes da América do Sul, as circunstâncias em que cada livro foi redigido e a dificuldade de aceitação da sua obra nas editoras.

Gabo revela as suas amizades políticas, o seu papel de embaixador dos Direitos Humanos e a mediação, que não costuma recusar, para ajudar a resolver casos de injustiça, quer política, quer social.

Também a sua vida familiar é aqui retratada, de um modo muito sucinto e rápido, mas dando a entender a estabilidade que tem em casa e de que modo isso o ajuda a viver e a escrever.

Aconselho a ler este livro depois de ler algumas obras de Gabriel Garcia Márquez, como "O Outono do Patriarca" e "Cem Anos de solidão". Acreditem que vão reviver muito desses livros aqui e que sem essa leitura se perde muito do valor deste livro.

Ana Gabriela Sousa

25 Agosto 2007



A Casa das Sete Mulheres

Leticia Wierzchowski

Bento Gonçalves lidera o exército farroupilha e expulsa as tropas legalistas de Porto Alegre em 21 de Setembro de 1835. Começa a guerra pela República, pela abolição da escravatura e a independência do Rio Grande de Sul. Bento envia as mulheres da sua família, sua esposa, filhas, irmã, cunhada e sobrinhas para uma fazenda no interior, um local de difícil acesso, de modo a ficarem mais protegidas.

Sete Mulheres a viver sozinhas numa grande fazenda durante 10 anos, entre 1835 e 1845, enquanto os seus homens lutavam na guerra civil, a Revolução Farroupilha no Continente de São Pedro no Rio Grande, Brasil.

Esta é uma estória de mulheres. De sofrimento e angústia. De espera. De mortes. De guerra. Mas é uma estória também de grandes amores, uns difíceis, outros impossíveis e ainda outros que levam à morte. Mas é desses amores resistentes, loucos e de grandes sacrifícios que é feito este livro extraordinário.

Um livro belissimamente escrito, muitas vezes em catalão com português, italiano com catalão, e outra mistura de línguas que se fala ali naquela fronteira entre o Brasil e o Uruguai, em Pelotas, Rio Grande.

Ana Gabriela Sousa

8 Setembro 2007



Bel-Ami

Guy de Maupassant

Este livro de Guy de Maupassant, influente cronista e romancista Francês do sec. XIX, dá-nos um fiel retrato da sociedade Francesa neste século.

É a estória de Jorge Duroy (Bel-Ami) que depois de dar o seu tempo na guerra das colónias Francesas em África, volta a Paris, sem dinheiro e com um emprego miserável nos caminhos de ferro.

Mas a sua vida muda quando encontra nas ruas de Paris o seu amigo de infância Forestier, reconhecido cronista do jornal “Vie Française” e senhor da alta sociedade Parisiense.

Forestier arranja um lugar no jornal para o seu amigo Jorge e integra-o no seu grupo de amigos e família, convidando-o para sua casa em diversas ocasiões.

Jorge usa do seu charme para conseguir, sem olhar a meios e a amizades, o poder. E este é um livro que nos mantém até ao fim à espera que Jorge seja castigado por todas as suas artimanhas, falsidades, intrigas, jogos de poder, por usar os seus amigos, amantes e todos os que depositam confiança nele em jogos de poder. Assiste-se aqui à podridão das altas sociedades.

Ana Gabriela Sousa

20 Agosto 2007



Romeu e Julieta

William Shakespeare

Tinha em casa uma edição de bolso desta grande e famosa obra de William Shakespeare já há algum tempo e nunca tinha tido vontade de a ler por já conhecer o fim da história.

Comecei a ler este livro com alguma curiosidade por ele estar num formato de peça de teatro e por ter o texto integral da peça.

O livro tem a peça de teatro original (em Inglês) e a sua tradução fiel em Português e é muito interessante de se ler não só porque nos conseguimos imaginar numa sala de espectáculos a seguir a peça, mas também pela linguagem utilizada, a da época desta história de amor.

Ana Gabriela Sousa

17 Agosto 2007



Inés da Minha Alma

Isabel Allende

"Inés Suárez (1507-1580) Espanhola, viajou pelo Novo Mundo em 1537, onde participou na conquista do Chile..."

Assim começa este livro. A história verdadeira, segundo Isabel Allende que estudou livros da época durante quatro anos para poder escrever este romance com a maior fidelidade possível, de Inês Suárez, uma Espanhola, que parte para o Peru à procura do seu marido que se tinha aventurado anos antes na descoberta do Novo Mundo. Posso adiantar que a procura do marido foi uma boa desculpa para a sua família conservadora, porque o que Inês procurava mesmo era uma vida de liberdade e de aventura.

A história desta mulher é uma história de amor, sorte e solidariedade.
Amor, porque amou e foi amada intensamente por três homens ao longo da vida, cada um à sua maneira, é verdade, mas foram sempre relações muito intensas e muito dedicadas.
Sorte, porque quando uma mulher parte de Espanha para outro continente, quase desconhecido, sozinha, nos anos de 1500, apenas com o objectivo de encontrar um homem, num vastíssimo território, e não só consegue sair ilesa, como encontrar o homem da sua vida.. isto é sorte!
Solidariedade porque dedicou toda a sua vida a dar, dar roupas, dar comida, dar carinho, a curar os feridos de guerra e a amparar os desgraçados que lhe batiam à porta. E fez isso até ao dia da sua morte.

Com este livro aprendemos um pouco mais sobre as conquistas espanholas na América do Sul, sobre a carnificina que foi durante anos e anos a conquista do Chile aos Índios, e sobre o amor, que Inês nos ensina durante todo o livro, a dar e saber receber.

Haverá melhor maneira de conhecer a história do mundo do que guiados por Isabel Allende, com a intensidade da sua escrita e a sua imaginação usada para interligar todos os acontecimentos narrados nos documentos oficiais?

No fim de toda esta epopeia por que Isabell Alllende passou para escrever este romance épico, ainda teve de provar à sua editora com documentação oficial, que eram verdadeiros todos os episódios e pormenores da sua narrativa, pois a acusavam de “imaginação patológica” e de que muitas passagens deste livro eram incríveis demais para serem verdadeiras.

Isto aguça a curiosidade de qualquer leitor!

Ana Gabriela Sousa

14 Agosto 2007



Dai Sijie

Balzac e a Costureirinha Chinesa

A História narrada pelo autor, onde juntamente com o seu inseparável amigo Luo, vivem tempos difíceis na época da revolução cultural chinesa.

A paixão pela leitura leva-os a enfrentar desafios que quase lhes custam a vida, mas ao mesmo tempo, os levam também à paixão.
A pobre costureirinha que sonha em conhecer o mundo, encontra na sua pequena aldeia estes dois sonhadores, aos quais se torna amiga íntima.

Trata-se de uma amizade, um amor e a paixão pela cultura. A vida pela leitura, pelas histórias contadas, pelos sentimentos de uma mulher.

Uma obra que atingiu o sucesso literário em França e que retrata o fim da década de 60 em plena liderança de Mao Tse-Tung.
O narrador e autor Dai Sijie evoca a sua paixão pelos livros ocidentais proibidíssimos na época, como Balzac, Dumas, Baudelaire, Flaubert ou Dickens.
Há também a magia em torno do “Conde de Monte Cristo”.

Um livro que partiu já para aventuras cinematográficas.

Vítor Pinto

09 Agosto 2007



Cem Anos de Solidão

Gabriel Garcia Marquez

Já há alguns anos que ouvia falar desta obra prima do Premio Nobel Gabriel Garcia Marquez.

A expectativa era alta. E não me desiludiu. Pelo contrário.

É um livro que nos fala de relações humanas, de amor, ódio, ambição, vingança e Solidão.

Uma família cheia de gente, com uma arvore genealógica complicadíssima e mesmo assim é uma família que vive a solidão como uma forma de vida.

O livro passa por sete gerações da família Buendía desde a fundação de Macondo, na Colômbia e conta cem anos da história desta família com uma imaginação incrível, com personagens cheios de fantasias e traumas, com sentimentos contraditórios, com amantes aqui, filhos acolá com amores proibidos e incestuosos e muito mais o que Gabriel Garcia Marquez nos quis presentear.

É uma obra brilhante.

Eu quando acabei de ler o livro, recomecei-o de imediato. Não por não o ter entendido, mas porque achava que o livro merecia que eu lhe dedicasse mais tempo, que eu entrasse na história mais a fundo e com toda a minha entrega. Assim sendo, peguei num papel e numa caneta e fui desenhando a arvore genealógica desta família e tomando apontamentos à medida que o ia lendo pela segunda vez. Foi curioso e interessante… Li coisas que da primeira vez me tinham passado… e depois de conhecer o fim, de saber o que acontece a toda a família Buendía, foi muito mais intensa a minha integração em toda a narrativa e vivi muito mais de perto todos os sentimentos das personagens.

Experimentem!

Vejam mais pormenores sobre este livro em:

Wikipedia – Cem anos de solidão

Ana Gabriela Sousa

26 Julho 2007



A Reliquia

Eça de Queiroz

A Relíquia de Eça de Queiroz conta-nos a história de Teodorico Raposo, narrador e personagem principal, nas suas aventuras entre Lisboa e a Terra Santa, na tentativa de ficar com a fortuna da sua “titi”.

Teodorico ficou órfão ainda em criança e foi viver com a irmã da mãe, uma mulher austera, seca e acérrima beata, que herdou toda a fortuna do seu avô G. Godinho. Numa casa por onde passava toda a nata do Clero e da Magistratura da época, Teodorico engendra todas as maneiras para agradar e convencer a titi da sua fé, com todas as “beatices” possíveis.

Neste romance Eça mostra-nos uma personagem namoradeira, cheia de vida, gananciosa e de uma hipocrisia extrema. Teodorico escondia de todos as suas “relaxações com a carne”, com as namoradas mais fervorosas… de modo que a sua titi acreditasse na sua pureza e única entrega a Deus.

Mas este romance centra-se essencialmente na viagem que Teodorico faz a Jerusalém, a mando da sua titi, para lhe trazer o maior número de coisas santas e uma relíquia que a curasse de todos os males.

Nesta viagem Teodorico continua com a sua vida de galã e envolve-se com uma Maria no Egipto, de quem guarda uma camisinha de dormir, como recordação. Camisinha essa que irá ser a sua desgraça, mais tarde, em Lisboa.

Durante a sua estada em Jerusalém, juntamente com Topsius, seu amigo Alemão, historiador, Teodorico faz uma viagem espiritual ao tempo em que Jesus foi crucificado, com todas as descrições e adaptações que Eça faz da Bíblia. Muito interessante esta parte do livro, para quem se interessa por este momento da história do mundo.

Ana Gabriela Sousa

14 Julho, 2007



Diálogo de Vultos

Fernando Ribeiro

Fernando Ribeiro, voltou ás suas aventuras literárias por entre um ou outro intervalo das jornadas Moonspell. E ainda bem que o fez.
Ao seu terceiro livro de poesia, Fernando evoca sabores estranhos misturados com sonhos. Desejos que se fundem com o prazer da realidade.

Uma curta viagem por entre diálogos feitos, sentidos e imaginados.
Diálogos que destroem corações, unem paixões, ferem sentimentos já feridos.

Diálogo de Vultos sabe bem caminhar pelo espírito negro, novamente encapuçado pela editora Quasi, que tem vindo a seguir os passos de Fernando Ribeiro nestas caminhadas.
Excertos de Hart D. Fisher ou Slayer são encontrados neste livro, bem como pensamentos sádicos de Pete Steele dos Type O Negative.
Um livro de solidão repartida, solidão para dois, solidão para um mundo de ilusões.

Vítor Pinto

28 de Junho 2007



Kafka à beira-mar

Haruki Murakami

Encontro uma palavra que descreve completamente este livro: Fantástico.

Fantástico porque narra a estória de dois personagens estranhos, cada um ao seu estilo, mas realmente muito estranhos. Um adolescente de 15 anos que foge de casa e vai de encontro a uma profecia feita pelo seu pai. E um velho com um atraso mental acentuado, devido a um estranho acidente na sua infância, e que sabe comunicar com gatos. Estranho, mas ainda é só o início!

Fantástico porque relata acontecimentos como conversas com gatos e pedras, peixes e sanguessugas que caem do céu, crianças adormecidas na floresta que perdem a memória, e muitos mais relatos que evidenciam a imaginação e a criatividade deste autor.

Fantástico porque há certas alturas em que pessoas deste tempo têm encontros com pessoas de tempos passados, muitos anos passados… e mantêm relações com as mesmas, mesmo estando em mundos à parte.

Fantástico porque nos contas estórias lindíssimas de amor e de amizade.

Fantástico porque se lê de um fôlego só, viciante, enérgico, um conto cheio de vida e força, como as suas personagens!

O fim deixou-me um pouco à deriva… há coisas no livro que ficam por explicar, mas provavelmente é mesmo essa a ideia!

Se este livro fosse para o cinema o seu realizador teria, inevitavelmente, de ser David Linch… por isso imaginem a loucura deste livro!!!!

Divirtam-se!

Ana Gabriela Sousa

14 Junho 2007



O Amor é Fodido

Miguel Esteves Cardoso

Para mim este livro não foi surpreendente.
Já contava com uma descrição de um amor que leva alguém ao desespero e à loucura.

É um livro que relata um amor/ódio permanente e levado ao extremo de duas pessoas, o narrador e o seu amor, Teresa, a maldita.
O interlocutor mostra graves problemas psicológicos, sociais e sexuais o que leva a que em certa parte do livro haja uma descrição bem engraçada e entusiástica do acto sexual entre os dois, mas só verbalmente, sem que se toquem. Tem piada!

Experimentem. Le-se bem e rapidamente.

Ana Gabriela Sousa

06 Junho 2007



A Cor da Felicidade

Wei-Wei

Mais uma escritora Chinesa. Mais uma estória de uma família, três gerações na China de Mao.

Quando o comecei a ler depressa o comparei a “Cisnes Selvagens” de Jung Chang. Mas ao fim de um, dois capítulos percebi, que apesar de retratar os mesmos problemas, a mesma violência física e psicológica exercida pelo regime, este livro é bem mais simpático de ler, mais leve, mais bonito porque mostra o lado bom e aprofunda a felicidade que as pessoas nessa época, na China, encontravam em pequenas coisas.

Se querem um livro que mostre nua e crua a história da China no reinado de Mao, então leiam “Cisnes Selvagens”. É uma história verdadeira de pessoas reais e que sofreram e nos fazem sofrer com elas ao ler e sentir a realidade.

Mas se preferem um romance que conte a estória triste, mas bonita, de amores, de desencontros, num tempo muito difícil, então optem por “A cor da felicidade” que é um livro muito bonito, muito bem escrito em que uma avó conta, no fim dos seus dias, toda a sua vida, fazendo um paralelo muito bem conseguido, entre a sua juventude e a juventude da sua filha (mãe da receptora da estória).

Ana Gabriela Sousa

30 Maio 2007



Cemitério de Pianos

José Luís Peixoto

Pouco conheço da obra de José Luís Peixoto.
No Verão de 2006 li um pequeno conto dele que saiu com a “Visão” e em que o personagem principal de auto-intitulava por “Frigorifico”. Esse contou deixou-me embaraçada na praia, onde ri a despregadas gargalhadas e todos à minha volta acharam, com toda a legitimidade, que era louca.

Confesso que, quando este livro foi editado, não fui logo a correr lê-lo, mas fiz mal. Não imaginava a criatividade e a loucura que o José Luís Peixoto colocou neste livro.

Este livro está envolvido por um facto real, a história real de um homem de 21 anos Português que morre de exaustão ao correr a maratona dos Jogos Olímpicos na Suécia. Mas esse é apenas o pretexto para contar a história circular da família do Francisco, uma família de carpinteiros, dos seus amores e desamores, das suas descobertas dos antepassados e o elo que vai unindo as gerações: o conserto de pianos.
É no cemitério de pianos, um armazém de pianos velhos à espera de conserto, do tempo do avô do Francisco, que se move toda a acção do livro e onde se passam os acontecimentos mais marcantes na vida desta família.

Leiam este livro e de certeza vão pensar: “e a história repete-se…” , como o ciclo da vida: mar, evaporação, nuvens, chuva, rios, mar, … esta família segue o ciclo da vida e a história repete-se…

José Luís Peixoto escreve este livro de um modo muito interessante e imaginativo que por vezes pode levar o leitor a achar-se perdido no meio das gerações e de histórias perdidas no tempo, mas o modo como o autor se refere a determinados pormenores, logo nos localiza espacialmente e fisicamente na história. É um livro fabuloso e tão bem escrito que não se consegue parar de ler.

Ana Gabriela Sousa

24 Maio 2007



O Livro das Ilusões

Paul Auster

Paul Auster é um verdadeiro contador de estórias.
É incrível como ele entra na vida de uma personagem e a seguir de outra com uma leveza de escrita e com uma clareza que o leitor absorve de imediato e embarca nesses magníficos contos.

Este livro é como as bonecas russas, ao contar a vida de uma personagem entra-se na vida de outra e ainda outra, sem que o leitor perca o fio da estória, vivendo intensamente cada momento do livro.

Neste livro a personagem principal é um escritor que vive uma tragédia familiar e entra num estado profundamente depressivo e que resolve investigar o trajecto profissional de cinéfilo desaparecido há mais de 50 anos de uma forma misteriosa, a única pessoa que o fez sorrir nesta fase tão negra da sua sobrevivência.

É aqui que começa a aventura que vai mudar a sua vida para sempre e o vai tirar do buraco da depressão e do suicídio. David parte para as suas viagens pelo mundo na descoberta dos filmes de Hector Mann, enfrentando os seus medos, para descobrir e escrever sobre a obra deixada pelo melhor realizador/actor de filmes mudos.

Um livro a não perder, como já se poderia imaginar, sendo de Paul Auster.

Ana Gabriela Sousa

23 Maio 2007



Uma Viagem Espiritual

Billy Mills / Nicholas Sparks

Este é um livro que deve ser lido por todos… mesmo que no fim o achem ridículo e que não aprenderam nada com ele, como eu! O certo é que, no fundo, se retira uma lição de vida e muitos métodos para aprender a ser feliz…

Quando estamos em fase ascendente da nossa vida não lhe damos muito valor, mas acredito que este livro ajude muita gente a enfrentar com mais esperança a sua vida, quando as coisas estão a correr menos bem e não se avista um futuro muito promissor.

Deve ser um livro para ter em casa, e quando estivermos mais em baixo com um problema(zito), que muitas vezes somos nós que o criamos, porque não temos mais nada em que pensar, devemos pegar nele e ler um capitulo hoje, outro amanha, at é percebermos que somos um bocado estúpidos e que a vida é tão boa!!!

Uma boa prenda, para pessoas dos 10 aos 100 anos.

Ana Gabriela Sousa

15 Maio 2007



O Nome da Rosa

Umberto Eco

Este foi o livro que deu a conhecer Umberto Eco ao público Português. É um livro de 1980 que ainda hoje continua a ser editado e reeditado em Portugal.

Todos lhe chamam uma “obra labiríntica”. E a verdade é que o escritor leva o leitor por vários caminhos, uns sem saída, outros de mentira, outros muito sombrios, até chegar à resolução de vários mistérios, várias mortes, dentro de uma abadia na Idade Média.

A estória é contada pelo Adso, aprendiz, cheio de vitalidade e amor para dar, do protagonista, o investigador, um frade Franciscano com um vasto passado de inquisidor, Guilherme de Baskerville.

O tema central do romance é a liberdade de estudo e de ensino, a livre circulação do conhecimento, tendo como espaço central uma biblioteca labiríntica fechada a sete chaves e cheia de mistérios.

Esta obra, apesar de ser muito interessante e ter partes de muita acção e emoção, está envolvida por momentos entediantes, quando o autor exagera, na minha opinião, em pormenorizados acontecimentos históricos e pensamentos filosóficos da época. A imaginação fervilhante do autor acaba por vezes por ser labiríntica tamb ém, levando a que quase se perca o fio da história.

Mesmo assim, acho que vale a pena conhecer melhor a vida dentro de uma abadia no sec. XIV, na altura da inquisição e de muitas lutas entre franciscanos, o Papa e o Poder politico.

Ana Gabriela Sousa

26 Abril 2007



Cisnes Selvagens – Três Filhas da China

Jung Chang

Este livro retrata a vida de três gerações de mulheres na China do Sec.XX.

É um livro de factos reais que relata com grande emotividade e dureza a vida na China durante o tempo do kuomintang, a ocupação dos Japoneses, o Comunismo a Revolução Cultural de Mao Zedong e a chegada ao poder de Deng Xiaoping em 1974.

A história é contada pela neta de uma Concubina de um General do kuomintang e filha de um Comunista “seguidista-capitalista” e que nos mostra o terror que se viveu nesse tempo, desde torturas, prisões, trabalhos forçados, suicídios, perseguições a determinadas facções, grupos organizados, discriminação da mulher na sociedade e muito, muito terror que transformou a China num autêntico pesadelo.

Para quem se interessa por História, nada melhor do que ler este romance, que nos explica, com todos os relatos vividos na primeira pessoa, a verdadeira cultura e história politica da China.

Ana Gabriela Sousa

30 Março 2007



Memorial do Convento

José Saramago

Como estreia a ler Saramago devo confessar que esta obra me surpreendeu muito e pela positiva.

Desde a minha juventude que evitei os seus livros. Levei sempre muito a sério todos os comentários que me faziam sobre o seu tipo de escrita, frases muito extensas, sem paragens, sem vírgulas, deficiente pontuação, muito difícil de seguir o raciocínio, etc e tal…
Confesso que até tinha um certo receio de não ser capaz de ler um livro deste autor Português tão homenageado e de tanta relevância no nosso país e não só.

Tudo não passa de um mito.

Memorial do Convento é um livro com um argumento muito simples, muito bem escrito e muito cativante.
Nas primeiras páginas o leitor pode ter alguma dificuldade, pode não estar habituado a este tipo de linguagem e a uma construção das frases tão rebuscada. Mas rapidamente se “entra” na estória e somos transportados para a época de D. João V, nos anos de mil e setecentos, tempo de guerras, inquisição, superstições e de Baltasar Sete-Sois e Blimunda Sete-Luas.
Estas são as duas personagens principais do “Memorial do Convento” que vivem uma intensa história de amor ao mesmo tempo em que o Rei D. João V manda edificar o Convento de Mafra para os Franciscanos, como pagamento do pedido que um velho deles fez a Deus para que o Rei tivesse um Sucessor.

Pelos meandros deste conto temos um padre que sonha em voar, uma inquisição que queima pessoas em praça pública, um convento que tanta morte provoca, um amor incondicional que nunca morre entre um homem maneta e uma mulher capaz de visões e o autor que escreve este conto que nunca deixa escapar uma critica às instituições politicas e religiosas.

É uma obra de uma beleza e simplicidade tocantes.

Ana Gabriela Sousa

12 Março 2007



A Fórmula de Deus

José Rodrigues dos Santos

Tomás Noronha, o historiador já nosso conhecido do “Codex”, embarca em mais uma aventura, desta vez no Irão, onde é contratado para decifrar uma mensagem que figura num extenso e complicado documento escrito pelo Einstein e que foi extorquido das mãos de um físico da Universidade de Coimbra.

Os Iranianos estão convencidos que o documento apresenta formulas para a construção da bomba atómica e que a mensagem que aparece nas primeiras páginas, e que está codificada, explica o conteúdo deste mesmo documento.
De uma forma inocente e com alguma ganância de dinheiro, Noronha entra num jogo de interesses e acaba por ceder ao pedido do seu “amigo” Americano e decifrar a mensagem para a CIA, de modo a evitar que o Irão tenha acesso à formula da bomba atómica.
A trabalhar para Iranianos e Americanos, no Irão, país de severos costumes e fanáticas tradições, todos estamos a ver em que perigosas aventuras o nosso historiados se vai meter.

Este é um romance com muita acção, espionagem, amor, doença, morte e traição, onde se aprende imenso sobre física e matemática, com explicações simples mas muito pormenorizadas, que prende o leitor até à última página.

Que o professor Noronha embarque em mais aventuras!

Nós cá estaremos para as ler de um fôlego só!

Ana Gabriela Sousa

22 de Fevereiro 2007



Timbuktu

Paul Auster

Esta é a estória de um cão.
Um cão vadio.
Com um dono!?
Um dono vadio!
Paul Auster já não nos surpreende com esta estória tão real, enternecedora e comovente de um amor incondicional de um cão vira-lata e o seu dono, um poeta fracassado, que depois da morte de sua mãe passa a viver na rua.

Mr. Bonés, o cão, vive todas as aventuras e desventuras do seu dono Willy nunca o abandonando nem mesmo quando este se prepara para deixar este mundo e partir para Timbuktu.

Ana Gabriela Sousa

02 de Fevereiro 2007



A Cor da Paixão

Sveva Casati Modignani

Sveva é uma escritora que retrata essencialmente a vida e o papel das mulheres na sociedade. Na “Cor da Paixão” não foge à regra.
É um livro centrado na personagem de Liliana, uma mulher que nasce no seio de uma família de operários e sindicalistas no Pós-Guerra Italiano e que luta para vencer na vida.
Liliana é filha de Renato, operário metalúrgico e sindicalista respeitado e de Ernestina que trabalha numa empresa Têxtil, uma lutadora pela família, sempre insatisfeita e com objectivos bem traçados para os seus 4 filhos, para além de Liliana, Giuseppe, Pucci e Rosalina.
O amor dos seus pais consegue criar na sua família um elo de amizade e união entre todos, cada um com os seu carácter bem definido, objectivos de vida diferentes, carreiras nem sempre com a bênção da mãe-galinha, mas todo bem sucedidos.
Este livro descreve com minúcia o clima de tensão vivido nas fábricas nesta época de reivindicações e sindicalistas extremistas, onde Liliana faz o papel intenso e vibrante de negociadora entre as exigências dos operários e os interesses da empresa.
Sendo o seu pai um sindicalista, é uma referência e faz com que Liliana saiba como comunicar e negociar com os operários conseguindo evitar greves e obrigando os patrões a ceder a algumas exigências. Apesar do seu trabalho intenso que lhe ocupa muito tempo, Liliana consegue criar uma família graças ao seu marido carinhoso, compreensivo e sempre disponível para “tapar os buracos” da falta da esposa em casa.
A sua família, um núcleo duro, é afectada por muitos problemas que são neste livro relatados com amor e muita moderação, como a homossexualidade de um irmão e a libertinagem da irmã.

Um livro bonito que revela a importância de uma família na definição do carácter de um individuo.
Eu substituída o nome do livro por “A sombra da Paixão” ou “O Amor vence”, dado que não é um livro de paixões, mas sim de algo bem mais importante que isso.

É um livro de amor e de amizade.

Ana Gabriela Sousa

15 de Janeiro 2007



Cassandra perdeu a guerra.
Velha, cansada e derrotada, Cassandra conta como lutou toda a sua vida pela independência da mulher face ao homem. Tentou a todo o custo a liberdade e a independência tão importantes para si.
Mas então este é um livro actual. Apesar de se passar durante o amargo conflito entre Troianos e Gregos, no tempo em que os Deuses comandavam o destino dos Humanos.

Cassandra, princesa de Troia nasce gemea de um irmão mandado para longe, para não atrair o azar de gémeo,e é criada como uma gurreira no seio da Tribo Amazonas, uma tribo de mulheres selvagens que lutam pela liberdade e pelo orgulho de ser mulher não escrava de homem algum.

Já jovem, Cassandra, que em tenra idade fora chamada pelo Deus do Sol para ser sua sacerdotiza, volta para Troia, onde é acolhida na casa do Senhor do SOL, o Deus que a protege, bem perto da sua familia Real, no mesmo momento em que o seu irmão gémeo, Páris, volta também para os jogos reais e fica a pedido do seu pai Primio e sua mãe Hécuba.
Aqui se inicia a destruição de Troia, há muito visionada por Cassandra que nunca desiste de avisar do terror que se aproxima da sua cidade.

Este é um livro cheio de Amor, Coragem e Determinação, mas tamb ém muita violência e vingança de povos em luta pela cidade de Troia. Aqui se conta a lenda da queda de Troia, com os factos arqueológicos conhecidos, os mitos dos Deuses, os acto heroicos de Heitor, Páris, Agamemnon, Aquiles, Cassandra, Helena, ... e com a ficção de Marion Zimmer Bradley que nos encanta e faz com que estas personagens entrem na nossa vida e de repente, quando o livro acaba pensamos: e agora?, vou conseguir viver normalmente sem a companhia de Cassandra, Helena, Pentesileia, Manelau, Odisseu, Eneias, Honey,...

Ana Gabriela Sousa

13 Dezembro 2006



Onze minutos
Que farias com onze minutos?
Ler este livro?
Não o conseguirias. Apesar de ser um livro muito interessante e até “viciante”, sempre são quase 300 páginas! Prepara 2 dias!

“O mundo gira em torno de algo que dura apenas onze minutos”, diz Paulo Coelho.
E agora, já consegues imaginar o que poderias fazer com este precioso tempo? Sexo!
Onze minutos – tempo m édio de um acto sexual, defende o autor.

O mote está dado.
Esta é a estória de Maria, a Prostituta.

Maria sai do Brasil, rumo à Europa, em busca de dinheiro para tirar a família da mis éria, para realizar sonhos, para encontrar um marido… para ser feliz!
Pouco tempo depois de chegar a Genebra, pela mão de Roger, o “amigo” que a poderia ajudar a realizar todos os sonhos, entrega-se à prostituição sem vergonha, sentimento de culpa ou vitimismo algum. E, quando tudo parece um grande buraco negro na vida desta jovem estrangeira, ela acaba por conseguir quase tudo…

Num livro em que Paulo Coelho faz muitas referências a outros livros seus, como o Alquimista e Brida, este livro, sem o misticismo e magia que sempre lhe foram associados, mas bem ao seu estilo sonhador com todas as frases chave, faz-nos pensar sobre o mundo e reflectir sobre a nossa própria vida, muitas vezes revendo-nos nas suas palavras.

Esta é uma estória bem actual e realista onde o escritor Brasileiro descreve com sensualidade e até algum erotismo as aventuras de Maria.

Ana Gabriela Sousa

16 Novembro 2006