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A.A.A.
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Slimmy

O segundo trabalho para a irreverente banda portuense, aqui apresentado na primeira pessoa. Senhoras e Senhores...

Fenther – Como está Slimmy actualmente?
Slimmy – Slimmy está mais vivo que nunca, com nova formação, com novo disco e novo espectáculo ao vivo pronto a contagiar o público.

Fenther – Houve mudanças no alinhamento da banda?
Slimmy – Sim, houve… primeiro houve uma mudança normal de baterista derivada de razões pessoais do Garcez. Depois incluímos um novo guitarrista, o Funky e um programador/teclista, o Gustavo Silva. A inclusão destes dois novos elementos, era algo que já estava pensado desde os últimos tempos da digressão do ‘Beatsound Loverboy’ e que transforma as actuações ao vivo mais vigorosas e energéticas … neste momento somos uma máquina de rock’n’roll.

Fenther – Satisfeito com este segundo disco?
Slimmy – Muito satisfeito. Este novo trabalho apesar de ser novamente uma mistura de rock e electrónica, que caracteriza Slimmy, é diferente ao nível das canções, pois considero-o mais orgânico e fruto de um trabalho mais de banda, dado que, já com o trio formado e na extensa digressão que fizemos com o ‘Beatsound Loverboy’ enquanto íamos tocando ao vivo, íamos experimentando algumas coisas e gravando.
A tudo isto não é alheio o facto de ter trabalhado com dois dos produtores do primeiro álbum, o Quico Serrano e o Mark Turner, pessoas com as quais consigo ter uma relação muito estreita a nível de trabalho e que conhecem Slimmy desde os ‘primórdios’.
De referir também que neste CD procuramos ter um conceito gráfico que acompanhasse as músicas, o universo de Slimmy e o próprio título do álbum ‘Be Someone Else’. Todo o artwork, que considero excelente, foi desenvolvido pela Liliana Pinto da My Favourite Designer (www.myfavouritedesigner.net)... cada vez mais os suportes físicos tem que possuir mais valias que os distinga e que faça com que o consumidor os compre por o considerar um objecto único’. Todo este conceito permite que o mesmo CD tenha duas capas diferentes e ainda nos reserve uma surpresa no instante em que retiramos o booklet da caixa… mas o ideal é mesmo comprarem o disco para verificarem com os próprios olhos (risos).

Fenther – Sentes que está mais maduro, mais energético, mais sedutor...?
Slimmy – Sobretudo sinto uma maior maturidade e experiência, resultante desses dois anos e meio em digressão por Portugal. A escrita de letras está mais adulta também, apesar de ainda manter a energia e a irreverência, assim como toda a sexualidade e sensualidade em tudo o que faço.

Fenther – Como estão a ser as apresentações ao vivo? Algum ponto de destaque?
Slimmy – Considero que as reacções por parte do público tem sido bastante positivas… ainda sem o disco editado fizemos alguns concertos de pré-apresentação e notei que apesar das pessoas ainda não conhecerem os novos temas não ficavam indiferentes, manifestando-se quase de igual forma às músicas já bem rodadas. Acho que isso se deve, e identificando o principal ponto de destaque, ao facto de o espectáculo estar mais real e poderoso com esta nova formação onde a mistura dos novos temas com os mais antigos ganhou outra dinâmica, o que faz com que os concertos sejam ainda mais vibrantes.

Fenther – Por onde vais estar em breve ao vivo?
Slimmy – Em Julho iremos estar em Coruche, no Festival da Juventude no dia 17 e a 29 tocamos em Vila Nova de Gaia. Em Agosto temos uma actuação agendada para o Porto, que será divulgada brevemente e ainda alguns pedidos para outras cidades por confirmar… mas o melhor mesmo será fazer essa pergunta à minha agência, a 1bigo (risos)

Fenther – O vídeo de "Be Someone Else" o single, está excelente. Quem o realizou?
Slimmy – Tenho a mesma opinião quanto à excelência do vídeo (risos). Foi produzido pela Riot Films, onde na equipa encontramos alguns elementos que já tinham trabalhado connosco do vídeo do tema ‘You Should Never Leave Me’, na altura com um excelente trabalho também por parte de António Vieira como director. Neste novo vídeo apenas identificamos alguns conceitos que queríamos seguir, dando total liberdade à equipa de produção, fruto do conhecimento e reconhecimento dos trabalhos já feitos. A realização ficou a cargo do Miguel Januário sendo que o Paulo Castilho assumiu a direcção de fotografia e o Júlio Alves a direcção artística.
… já agora sugiro que publiquem o link para que quem quiser possa confirmar o que estou a dizer (risos) [http://www.youtube.com/watch?v=HAGjW4WHV6Q]

Fenther – E como aconteceu mais esta produção de luxo neste disco?
Slimmy – Não foi propriamente uma produção de luxo… apoiamo-nos basicamente no talento e nas boas ideias de toda a equipa, que conseguiu passar com imagens a mensagem da canção e desta nova fase de Slimmy. Foram dois dias de filmagens, no Cine-Teatro de Estarreja, sendo a maior parte do trabalho realizado em pós- produção.

Fenther – Na tua opinião a população portuguesa está mais aberta para receber Slimmy ou ainda não?
Slimmy – Eu acho que sim mas nunca me preocupei muito com isso porque quero acreditar que os portugueses sabem quando um produto é sincero ou não e tem discernimento para valorizar quem faz as coisas com paixão e honestidade...
ora, como tanto eu como a minha banda fazemos isto com bastante convicção e sinceridade, procuramos sempre que a relação que temos com o público assente num modo ‘festivo’, descontraído e de pura diversão.

Fenther – Vais editar e apresentar este disco lá fora? Por onde?
Slimmy – Obviamente que tentamos sempre agilizar os nossos contactos para que tal seja possível, apesar de sinceramente não nos preocuparmos muito com esse tema. Na realidade hoje em dia e com o mercado que temos é possível comprares/importares um disco sem o mesmo ter uma edição física no país onde resides. De nada interessa editares um disco lá fora se ao mesmo tempo não conseguires ter quem o promova eficazmente e também uma colaboração no agenciamento de forma a que as coisas resultem realmente. Por outro lado vivemos na era digital onde através das diversas plataformas existe acesso global ao teu ‘produto’. No álbum anterior ficamos bastante surpreendidos, pela positiva, com as vendas digitais que o disco consegui no mercado além fronteiras, principalmente nos Estados Unidos.

Fenther – O futuro de Slimmy passa por onde?
Slimmy – O meu objectivo é poder mostra-me e dar-me a conhecer ao maior número de pessoas possível… assim, espero que passe pelas casas das pessoas, pelas ondas hertezianas e sobretudo pelos palcos nacionais, já que essencialmente é onde sentimos mais prazer em apresentar aquilo que fazemos.

Fenther – Uma mensagem final...
Slimmy – Um grande abraço para o fenther.net, que nos acompanha desde o inicio… descubram o ‘BE SOMEONE ELSE’ e divirtam-se a ouvi-lo, quer seja em CD ou ao vivo.
Abraço and Good Luck!

Vitor Pinto






Pop Dell'Arte

Um dos regressos mais aguardados de sempre, comentado aqui, nas palavras sabias do irreverente João Peste.

Fenther – Como estão os Pop Dell'Arte actualmente?
João Peste – Estão bem muito obrigado!

Fenther – Quase vinte anos de carreira sempre sem grandes pressões. Como conseguiram tal feito?
João Peste – Não sei se conseguimos isso! Sem pressões ? O que houve mais foi pressões e continua a haver, aliás...

Fenther – Sentem-se um mito vivo?
João Peste – Antes um mito vivo do que morto, lol. Mas não, não nos sentimos como um mito... Vivos estamos, alive and kicking e... fucking forever como cantamos na letra do Electric G.

Fenther – Esperaram pelo tempo certo para editar este vosso novo album?
João Peste – Não sei o que é o tempo certo, mas espero que seja o disco certo. Não nos preocupámos assim muito com o tempo, mas em que o disco ficasse como queriamos... e, em parte, conseguimo-lo!

Fenther – Mesmo demorando 15 anos entre "Sex Symbol" e este "Contra Mundum"?
João Peste – Já vi que são excelentes a aritmética... Pois foi, passaram exactamente 15 anos entre o "Sex Symbol" e este "Contra Mundum". Curiosamente, não tenho cabelos brancos, ainda! Não sei se conseguirei repetir esta proeza daqui a 15 anos ou quando for a saída do próximo álbum...

Fenther – O ep que aparece aqui pelo meio "So Goodnight", foi uma forma de dizerem: "Estamos aqui!"?
João Peste – Sim, estamos aqui e boa noite! Foi exactamente isso que quisémos dizer...

Fenther – Estão satisfeitos com o resultado final deste "Contra Mundum"?
João Peste – Relativamente, e falo por mim, estou! Mas só com o tempo é que terei a certeza de estar mesmo satisfeito com ele.

Fenther – Na vossa opinião está mais próximo de "Sex Symbol" ou de "Free Pop" musicalmente falando?
João Peste – Acho-o próximo e distante de ambos, simultaneamente. No entanto, a identidade de Pop dell'Arte está presente em qualquer dos três...

Fenther – "Ritual Transdisco" é um single perfeito. Orelhudo. Foi pensado para ser assim? Para agarrar logo à primeira audição?
João Peste – Não, nem sequer foi pensado,,, foi sentido e tocado, não pensado. É assim que fazemos música. Sem pensar...

Fenther – Vão estar em palco a apresentar este disco ao vivo?
João Peste – Sim, no Music Box, dia 15.

Fenther – Sentem falta da rotina rock'n'roll, quer na estrada, quer nas entrevistas?
João Peste – Népia,,,, Estou até um pouco cansado das entrevistas - lol - Foi tipo overdose, nas últimas semanas.
Quanto à rotina rock'n'roll: Não acredito na rotina do rock'n'roll,,, o rock'n'roll genuino não tem rotinas. As rotinas têm a ver com o mainstream e com o falso rock'n'rolll.... O rock'n'rolll - como canta o Alan Vega dos Suicide - o rock'n'rolll é como uma faca, rasga e rasga a nossa vida até que ela sangre... Depois continuamos a esperar por outro golpe ou desistimos. Nesse caso bye bye rock'n'roll. Mas eu não sou gajo de desistir...

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
João Peste – Oiço-a mais do que a vejo... B. Fachada, Governo, Maria João Pires, Sei Miguel, Youthless; Musgo, Corsage, Abztract Sir Q ; Social Smokers, Loosers, Tigrala; Filho da Mãe, 3 Tristes Tigres; Mão Morta. 20th Century Expressions (Bruno Monteiro & Joao Paulo Santos).

Fenther – Mensagem final...
João Peste – Wild 'n' chic.... we are so wild 'n' chic!

Vitor Pinto





Milhões de Festa! O Fenther esteve à conversa com Fua da organização.

Fenther – Tudo preparado para a edição 2010 deste grande festival?
Fua – Há sempre uma imensidão de pequenos pormenores a tratar mas a preparação está a decorrer de forma bastante tranquilo (dentro dos possiveis num evento deste tipo).

Fenther – Porquê Barcelos?
Fua – Porque não em Barcelos? Temos desenvolvido nos últimos anos uma colaboração que me deixa bastante agradado com uma série de bandas de Barcelos. Para além disso sinto uma vontade enorme dos miúdos em pegar em instrumentos, formar bandas, ir a concertos, comprar discos. Só faltava um evento deste tipo. Habituamo-nos a ver as bandas de Barcelos a tocar fora da cidade todos os fins de semana, pelo menos nestes três dias não vão precisar de dormir fora de casa.

Fenther – Depois de Braga, Porto e Barcelos, por onde pode seguir o evento? Sul?
Fua – A ideia será estabilizar o festival em Barcelos mas só após a edição deste ano é que colocaremos esta questão.

Fenther – O Milhões de Festa! atingiu este ano a maturidade?
Fua – Não diria maturidade mas sente-se um óbvio passo em frente em termos de impacto e de crescimento. A maturidade fica para daqui a uns anos (muitos).

Fenther – Destaca alguns nomes do cartaz deste ano, internacionais...
Fua – É um bocado complicado destacar nomes dado que todos os presentes no cartaz são escolhas do coração. Estou super curioso para ver como o Mark E.Smith se vai comportar, a estreia dos Electric Wizard é algo de muito relevante, os Delorean por tudo o que se tem falado deles e será muito engraçado ver um concerto deles 6 anos depois do primeiro, os Monotonix vão incendiar o festival por certo mas no geral estou muito curioso para ver todas as bandas.

Fenther – E nacionais?
Fua – Escolhemos as bandas portuguesas que achamos mais relevantes neste momento por cá. Expectivas em alta portanto.

Fenther – É dificel fazer um evento deste porte em Portugal? Há apoios suficientes?
Fua– Acaba por ser complicado mas a disponibilidade da Câmara Municipal de Barcelos no apoio e na organização tem sido exemplar. Um exemplo para outros munícipes no que toca ao apoio à cultura diz respeito. Quando se estabelece uma parceria como a que conseguimos estabelecer tudo se torna mais fácil de desenvolver.

Fenther – Onde se podem adquirir os bilhetes e qual o valor deles?
Fua – 15€ bilhete diário e 35€ passe geral. Os bilhetes podem ser adquiridos na ticketline.pt, fnacs e outras lojas habituais. Os bilhetes bonitinhos podem ser encontrados na Louie Louie, Lost Underground, Matéria Prima, Jo Jo's, Casa da Juventude de Barcelos e Café Senra.

Fenther – Vais dar uns mergulhos na piscina para relaxar? ;)
Fua – Seria um crime poder usufruir de uma piscina e não o fazer :)

Vitor Pinto




Garagem... 14 anos a oferecer uma nova cultura aos amantes de Drum'n'Bass e não só! As palavras de Marco Martins. O principal culpado!

Fenther – Como está a Garagem olhando para trás ao longo destes 14 anos?
Marco Martins – A Garagem continua igual a si mesma, sempre tentando superar as barreiras culturais deste país inovando a sonoridade portuguesa.

Fenther – Sentes o peso da responsabilidade de uma nova educação musical em Portugal?
Marco Martins – Sem dúvida. O facilitismo criado pela internet,e o seu consumo instantaneo torna por vezes mais dificil filtrar a qualidade. Parece que hoje em dia vivemos obcecados com numeros...quantas musicas tens no teu ipod, quantos, quantos.....discute-se mais numeros, e menos qualidade.

Fenther – Quando decidiste "abrir" a Garagem, pensaste chegar tão longe?
Marco Martins– Quando inicio qualquer projecto, penso sempre em atingir os objectivos pretendidos, neste caso era revolucionar a cultura da musica electronica em portugal. após 14 anos de trabalho, penso que ainda é um trabalho em progresso.

Fenther – E fazer tantos estragos pelo meio?
Marco Martins– É acima de tudo atitude Punk (não são estragos, são novos alicerces).

Fenther – Qual o momento mais marcante em todos estes anos de actividade?
Marco Martins – De tantos que me marcaram tenho que dizer que um deles foi a estreia da equipa do VSC-guimaraes 1996 com blue orange juice a tocar. isto sim foi logo um inicio marcante!!!!!!!!

Fenther – Sempre acreditaste na cultura Drum'n'Bass?
Marco Martins – Sim! Foi algo que desde cedo me despertou atenção, e como promovo apenas aquilo que gosto, mantive sempre a mesma linha.

Fenther – Foi dificel introduzir este estilo por cá?
Marco Martins – Sim. O drum and bass terá sempre os seus momentos mais altos e mais baixos. A sua identidade será sempre uma de uma cultura underground, e nunca mainstream. Por um lado, penso que esse será o lado mais aliciante do drum and bass, por outro reflecte o gosto geral pelo comercialismo, algo que penso que nunca irá mudar em portugal.

Fenther – Porque a Garagem só se movimente a Norte do país?
Marco Martins – A Garagem ja desenvolveu varios eventos em Lisboa. Por vezes em casos pontuais ainda promove eventos la, mas a nossa frente é sem duvida no norte. numa altura em que nos queixamos tanto do centralismo, acho que alguem deve redobrar a atenção pelo norte.

Fenther – O que costumas ouvir nos momentos de relax?
Marco Martins– Musica , de todos os generos punk,rock,techno,etc…

Fenther – A tua veia punk ainda continua?
Marco Martins– Para mim a atitude punk é muita revista no drum and bass. culturas do não-conformismo.

Fenther – Que tal fazer umas festas Punk Rock algures por ai?
Marco Martins– Tento sempre de vez em quando introduzir outras sonoridades. No ano passado , os Dokuga tocaram em Guimarães. Este ano, o aniversario conta novamente com DJs deste genero.

Fenther – Tens por habito, frequentar outras noite Drum'n'Bass por cá ou no estrangeiro?
Marco Martins– Poucas vezes, uma vez que trago os Djs de quem gosto, por isso vou mais a Londres ver novos talentos.

Fenther – Podemos esperar por mais 14 anos de Garagem?
Marco Martins– Como já disse, não posso quantificar, mas irei continuar...

Fenther – O que está preparado para os proximos tempos?
Marco Martins– Camo & krooked , estreia absoluta em Portugal, e o lançamento do ep stereo out dos Sigma , no s.joao dia 23 junho, no Porto. E finalizar as rodagens do documentario de dnb, da stup_IDcreations.

Fenther – Para quando os Pendulum?
Marco Martins– Ja trouxe os pendulum 6 vezes a portugal. agora que tocam como banda, penso que seria o formato mais interessante. quem sabe...

Fenther – Uma ultima mensagem...
Marco Martins– Ressuscitar Lux Interior , juntar os Black Flag e virem todos tocar a portugal, se possivel para a garagem, e como logico trazer Atari Teenage Riot que voltam a tocar depois de 10 anos parados, e sem duvida sao uma loucura...

Vitor Pinto






Cock'n'Roll. Conversas com o Fenther por entre as palavras das produtoras do evento, Alexandra Martins e Inês Faria.

Fenther – Como surgiu esta ideia?
Inês F. – Esta ideia surgiu no âmbito da disciplina de Área de Projecto. Juntando o útil ao agradável, o projecto serviu para que pudéssemos ter uma pequena ideia de como será trabalhar nesta área, uma vez que tencionamos segui-la após o ensino secundário. Ao mesmo tempo, o tema surgiu naturalmente, visto sermos fãs da cena rock barcelense.

Fenther – Quais a bandas a participar e o local?
Inês F. – Os concertos, que iniciarão às 16h no Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, contarão, respectivamente, com a presença dos The Glockenwise, Azia, Aspen e La La La Ressonance.

Fenther – Acreditam que Barcelos continua a ser uma cidade-fonte de boa musica portuguesa?
Inês F. – Independentemente de ser uma cidade-fonte de boa música é uma cidade-fonte de muita música, e isso, só por si, já é bastante importante. O número de bandas em Barcelos não pára de aumentar e a qualidade de algumas é evidente: há bandas barcelenses a tocar pelo país todo e a abrir para grandes nomes do rock actual. Para além disso, a comunicação social está cada vez mais interessada em dar a conhecer essas mesmas bandas. Desta forma, tem-se vindo a criar um burburinho positivo em torno da cena barcelense e não será, certamente, obra do acaso.

Fenther – Há espaço nessa cidade para tantas bandas?
Inês F. – Como se costuma dizer: Onde cabe um português, cabem dois ou três...

Alexandra M. – Há, claro. Mais não seja, porque o concelho tem quase 400 mil metros quadrados. As bandas têm todas o seu espaço, porque são bandas de diversos estilos, e, por isso, atacam em área completamente diferentes. Depois também há outra questão, nem todas as bandas têm os mesmos objectivos. Enquanto umas procuram sair da cidade e até do país, outras apenas anseiam pelo divertimento. E depois há ainda bandas que se fazem num dia, desfazem noutro e consecutivamente.

Fenther – Um festival totalmente barcelense. foi bem aceite esta vossa ideia? Houve apoios e ajudas?
Inês F. – Bem aceite sim (apesar de só poder haver certezas depois da realização do evento). No entanto, o mesmo não se pode dizer dos apoios, que ficaram bem aquém das expectativas. O país continua em crise, não é verdade? Assim que vai um forte agradecimento para aqueles que, mesmo em crise, ainda investem na cultura.

Fenther – A razão destas bandas em cartaz?
Inês F. – Queríamos que o cartaz representasse não só os diferentes estilos de música que por cá se fazem, mas também que mostrasse um pouco da evolução geracional. Isto é, temos os La La La Ressonance - pioneiros da cena barcelense - como também os Aspen, fruto desta nova geração explosiva. Sem esquecer outros factores: os The Glockenwise ainda não apresentaram o seu trabalho acústico na terra mãe; os Azia estão prestes a lançar o novo EP, os Aspen apresentar-se-ão pela primeira vez com o seu guitarrista em Barcelos e os La La La Ressonance por serem, sem sombra de dúvida, dos maiores nomes da música alternativa portuguesa.

Fenther – Mesmo sem este ter acontecido, podemos falar já de uma segunda edição do "Cock'n'Roll" ?
Inês F. – É extremamente precipitado falarmos numa segunda edição pois, como já referimos, é um projecto de escola. Visto estarmos a concluir o ensino secundário, o propósito do festival termina também. No entanto, se correr bem e se houver muita adesão, não será por nós que não haverá continuidade.

Fenther – Onde podemos encontrar informações na web sobre este evento?
Inês F. – Toda a informação actualizada sobre o evento na página do Facebook:
http://www.facebook.com/pages/Cock-and-Roll/116594298361804?ref=ts

Fenther – O convite final...
Inês F. – Já que nunca há nada para fazer aos sábados à tarde, fica aqui o convite para toda a gente que queira aparecer e curtir boa música. Aproveitem, fiquem para a noite e para além de mais concertos, ainda vêem um documentário. "Rock and Roll all night and party every day"

Vitor Pinto






Bass-Off em discurso directo numa conversa agradável com o Fenther, sempre à volta de "OHmónimo"..

Fenther – Quem são e de onde vêm os Bass-Off?
Bass-Off – Os Bass-Off são uma banda de rock alternativo, oriunda de Caldas da Rainha, formada em 2004 pelo Rui Filipe (Joe) na guitarra e voz, Nelson Alves (Né) na guitarra e voz e Nuno Oliveira na bateria.

Fenther – Como está o movimento pela zona das Caldas da Rainha no que diz respeito a bandas nacionais?
Bass-Off – Em relação a este assunto, temos de dizer que sem dúvida Caldas da Rainha ganhou muito com o seu Centro Cultural e Congressos (CCC). A oferta de eventos culturais é muito maior e mais variada do que era e isto fez com que muitos bons projectos nacionais se apresentassem na cidade. Por outro lado, algumas bandas e projectos com menos projecção têm vindo a ser divulgadas e apresentadas no auditório do Centro de Juventude das Caldas da Rainha ao longo dos últimos anos. Portanto, pode-se dizer que o movimento de todos estes projectos nacionais, grandes e pequenos, tem sofrido uma grande evolução na nossa zona e isso é sem dúvida motivo de orgulho para nós enquanto caldenses.

Fenther – Como definem o vosso som?
Bass-Off – Embora gostemos de dizer que somos uma banda de Rock n´Noise, devido às influências "sónicas" que impomos numa sonoridade tipicamente "rockeira", a verdade é que rotular este projecto é complicado. Somos os três bastante diferentes em termos musicais, tanto na execução como nas influências de cada um. Mas todas essas diferenças acabam por ser conjugadas e quando chega a altura de compor, a nossa sonoridade é uma fusão dessas mesmas influências, do carácter de cada um. Somos rock, somos indie, somos alternativo, somos experimental, somos... rock n' noise!

Fenther – "OHmónimo" Porque?
Bass-Off – Porque era importante preciso ser original sem o ser! A verdade é que a primeira hipótese que surgiu era a de o álbum ser de facto homónimo, à semelhança do que muita gente faz no seu primeiro álbum. Mas nós decidimos voltar isso a nosso favor e tornar esse termo no próprio título do álbum! A troca das duas primeiras letras prende-se com questões gráficas (na nossa opinião funcionava melhor assim e marcava ainda mais a diferença) e com um pequeno trocadilho: as três primeiras letras formam a palavra Ohm, que é o nome dado à unidade de medida da resistência eléctrica... uma pequena piada técnica!

Fenther – Têm tido boa aceitação por parte da imprensa?
Bass-Off – Apenas agora começamos a ter noção do feedback dado pela imprensa, até porque todo este processo de divulgação leva algum tempo a surtir efeito. Mas a verdade é que todas as impressões que temos recebido e lido acerca do nosso disco até agora têm sido muito positivas. Obviamente, esta boa aceitação serve de tónico para continuarmos a trabalhar cada vez mais.

Fenther – Vão apresentar este trabalho ao vivo? Por onde?
Bass-Off – Somos, acima de tudo, uma banda de actuações ao vivo. O disco é, obviamente, importante enquanto suporte físico e veículo de promoção, mas a nossa grande aposta sempre foi o trabalho ao vivo, com actuações intensas e cheias de energia. Neste momento já temos concertos de apresentação marcados nas Caldas da Rainha, Porto e Lisboa, além de uma série de showcases nas Fnac’s de todo o país. Assim que esta primeira ronda de apresentação estiver terminada iremos então avançar com outras actuações, um pouco por todo o país.

Fenther – Foi importante para vocês terem participado no Termómetro e no concurso da Levi’s?
Bass-Off – Nunca fomos uma banda de concursos. Aliás, estes foram os únicos onde participámos desde que existimos e não fazemos intenção de o voltar a fazer. Mas a verdade é que o timing e as oportunidades foram excelentes, ao servirem de rampa de lançamento para este álbum. Se estaríamos aqui sem ter ganho estes concursos? Gostamos de acreditar que sim, mas contar com a ajuda destes dois eventos foi importantíssimo e só temos a agradecer a toda a gente que, desde a nossa vitória em ambos os concursos, nos tem ajudado neste processo de lançamento e promoção.

Fenther – Escolham um tema deste álbum. Porquê?
Bass-Off– Só um? Assim é complicado... Só para sermos do contra, vamos escolher dois: "Whatever" e "Virginia". O primeiro porque é o nosso single de apresentação, um tema bem mexido, com boa onda, dançável, enfim, orelhudo! O segundo porque mostra o nosso lado instrumental mais forte, toda a nossa intensidade sónica.

Fenther – Qual o estado da música nacional na vossa opinião?
Bass-Off– Se há uns anos atrás pensávamos que tudo estava perdido, a verdade é que actualmente há uma luz bem forte ao fundo do túnel. Cada vez surgem mais projectos interessantes, com originalidade, com valor de nível internacional e com músicos de grande nível. Infelizmente, viver da música em Portugal continua a ser muito complicado e as oportunidades continuam a não ser muitas, portanto este será sem dúvida o ponto menos positivo do panorama actual e que aparenta ter tendência a piorar. Por outro lado, cada vez mais as bandas têm facilidade em produzir o seu próprio material, em gravar os seus discos e até em editá-los, o que ajuda um pouco a equilibrar as coisas.

Fenther – Vocês estão na web? Onde?
Bass-Off – Tentamos estar presentes em todas as redes sociais de maior expressão, mas o nosso site principal continua a ser o myspace: www.myspace.com/bassoffband Podem visitar o nosso perfil e ter acesso a todas as faixas do nosso álbum, bem como a nossa agenda de concertos, fotos e vídeos. Fora isso, podem também encontrar-nos no Facebook, Twitter, hi5, LastFM, YouTube, etc.

Fenther – O vosso disco vai estar em vendas online em mais de 700 países. Como isto aconteceu?
Bass-Off – Esta foi sem dúvida uma das grandes surpresas para nós, em termos de promoção. A nossa editora, a Independent Records, em conjunto com a MEDIApromo/MEDIAsounds (a quem desde já deixamos um enorme agradecimento pelo apoio em toda a produção final e promoção do disco) conseguiu-nos esta distribuição online através dos mais variados sites (iTunes, Amazon, etc.), fazendo assim com que o nosso álbum chegue ainda a mais pessoas. É sem dúvida uma óptima oportunidade para promover o nosso trabalho.

Fenther – Um último grito...
Bass-Off – Visitem o nosso Myspace e se estivermos pelos vossos lados, contamos com a vossa presença!

Bass-Off
Nuno Oliveira – bateria e voz

Vitor Pinto






The Soaked Lamb. Uma conversa agradavel e descontraida aos autores de "Hats & Chairs".

Fenther – Quem são os The Soaked Lamb e de onde vêm?
The Soaked Lamb – Somos um “rebanho” em forma de sexteto, todos da mesma família, mesmo os que não têm laços de parentesco. Vimos de um tempo em que tudo se passava mais devagar e era feito para durar e não para consumo imediato. Principalmente a música. Mas vivemos no presente e até usamos pedais de distorção nas guitarras, se isso ajudar a música. E ajuda muitas vezes. E até podem ser digitais. Vimos também dos longos almoços de Domingo, em que se comia ensopado de borrego e bebia vinho tinto, quando gravámos o primeiro disco. Foi nesse cruzamento que vendemos a alma ao diabo.

Fenther – Aguardaram pelo momento certo para editarem este disco, ou mal esteve pronto, saiu cá para fora?
The Soaked Lamb – Se fizéssemos música comercial, e que dependesse de tops e de resultados de vendas, esse momento seria importante. Felizmente, estamos confortavelmente sentados longe dessa realidade e não temos qualquer tipo de pressão. A não ser, talvez, a de algum chapéu que tenha um número abaixo do ideal. As coisas são feitas ao nosso ritmo, e esse ritmo é lento, e tem três tempos se for uma valsa. A maioria das vezes tem quatro é um blues ou um swing, e noutras ainda é um ragtime. Mas nunca acelera muito para além disso. Para nós, o importante foi termos todo o tempo do mundo para que todos os pormenores estivessem ao nosso gosto. Foi nessa altura que colocámos o disco à venda. Coincidiu também com o momento em que chegou da gráfica.

Fenther – Satisfeitos com o resultado final?
The Soaked Lamb – Estamos muito satisfeitos. Completamente satisfeitos. Este é o disco que nós queríamos. Somos culpados de tudo o que está lá. Qualquer falha e incorrecção foram feitas com toda a atenção e dedicação. E as reacções, quer do público, quer da imprensa e crítica, têm suplantado as nossas melhores expectativas. Mesmo as mais pessimistas.

Fenther – O porque dos chapéus e das cadeiras (Hats & Chairs)?
The Soaked Lamb – Isso prende-se com a nossa postura em palco, desde os primeiros concertos, e do nosso cuidado com os detalhes. O visual da banda é apenas mais um deles. Todos usam chapéu e todos tocam sentados. Todos excepto o contrabaixista, por uma questão ergonómica do instrumento, e a vocalista, que é bonita demais para ficar sentada.

Fenther – O grafismo deste disco está excelente. Os meus parabéns! Vocês tem sempre muito cuidado com a imagem?
The Soaked Lamb – Agradecemos o elogio. A imagem é tão importante para nós como a música. Faz tudo parte da mesma preocupação com os pormenores, que mencionámos anteriormente. Além disso é deformação profissional, porque trabalhamos todos na área da comunicação, de alguma forma. Entre designers, publicitários, ilustradores, escritores, realizadores, e outras profissões, não podíamos deixar esse trabalho em mãos alheias.

Fenther – Ao vivo também tem esse cuidado de apresentação visual?
The Soaked Lamb – Temos sempre esse cuidado. Até nos ensaios temos esse cuidado. Já aconteceu alguém tocar de chinelos, mas foi uma questão de estar na praia errada. Entretanto esses chinelos mudaram de banda.

Fenther – E onde poderemos tirar as provas? Por onde vão passar proximamente?
The Soaked Lamb – Os ensaios são fechados ao público, e têm que acreditar em nós. Mas ao vivo podem comprová-lo facilmente. Apesar de estarmos quase a terminar a tour nacional de lançamento do novo CD “Hats & Chairs” que nos levou de norte a sul, ainda nos podem apanhar no Musicbox, em Lisboa, no dia 30 de Abril, no concerto de encerramento da tour. Depois disso, apanham-nos mais facilmente em disco. E também como caminhamos devagar, deve ser fácil apanharem-nos em breve, noutros palcos.

Fenther – Vocês estão na web? Por onde?
The Soaked Lamb – Estamos nos canais sociais habituais, Facebook, Myspace, Blogs, Youtube. etc.
www.soakedlamb.com
www.facebook.com/thesoakedlamb
www.myspace.com/thesoakedlamb
E ainda em www.fenther.net
Já que o tema é a web, aproveitamos para dizer que o nosso booking é feito pela Rewind Music (www.myspace.com/rewindspace)

Fenther – Escolham um tema deste disco e porquê?
The Soaked Lamb – Blue Voodoo. Por ter sido o single de lançamento. Por ser o primeiro tema do disco. Por ter um convidado de luxo, que se chama Nuno Reis, a tocar uma trompete fantástica. Por ser talvez o tema que resume melhor o todo, apesar do disco ser bastante diversificado. Por ser Blue. E por ser Voodoo.

Fenther – Um ultimo grito...
The Soaked Lamb – Não é um grito. É uma frase pausada, sussurrada ao ouvido, rouca e em Dó menor: “ouçam a nossa música”.

Vitor Pinto






Freddy Locks conversou com o Fenther a proposito do seu novo disco. O Verão chegou!

Fenther – Como está Freddy Locks Actualmente? De boa saude?
Freddy Locks – Sim, estou de boa saúde apesar do peso dos trinta e das poucas horas de sono...

Fenther – Satisfeito com "Seek Your Truth"?
Freddy Locks – Sim. Muito feliz e orgulhoso com o resultado final deste disco.

Fenther – Em poucas palavras, define este teu disco...
Freddy Locks – É um disco que fala sobre a verdade e tem um groove muito forte.

Fenther – No disco há muitas colaborações... Quem são eles?
Freddy Locks – O Dj Nelassassin partiçipa no tema "Place for you",o Tony Moka participa no tema "Criolo", o Asher G fez o dub "Close to Dub" e o Beat Laden fez o dub "Human dub".

Fenther – Ao vivo também vão aparecer?
Freddy Locks – Não em todos os concertos, mas vão aparecer em alguns de certeza.

Fenther – E por onde vão andar a mostrar este registo?
Freddy Locks – Pra já temos concerto dia 24 em Lisboa, depois esperamos mostrá-lo por todo o mundo ;)

Fenther – Acreditas que o Reggae continua com força em Portugal?
Freddy Locks – Sei que o reggae vai continuar sempre a crescer em Portugal e no mundo.

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
Freddy Locks – Vejo muitos projectos de grande qualidade e uma grande evolução na diversidade. Sinto que temos muito talento em Portugal.

Fenther – Projectos para o futuro?
Freddy Locks – Tocar muitos concertos ao vivo, mostrar o disco o mais possível e continuar humilde e sem pretensões. Carpe diem Style !!

Vitor Pinto






BunnyRanch conversaram com o Fenther sobre o novo disco "If You Missed the Last Train...".

Fenther – Como estão os Bunnyranch actualmente?
BunnyRanch – Estão com um álbum novo e a promove-lo.

Fenther – O que se alterou entre o registo anterior e este novo album?
BunnyRanch – Como temos um guitarrista novo é normal que surjam ideias e sonoridades novas o que é sempre importante e positivo. Mas de qualquer modo acho que as alterações não fogem a sonoridade dos bunnyranch.

Fenther – Foi complicado editar "If you missed the last train..." ?
BunnyRanch – É sempre o processo que, para nós, requer muita imaginação isto porque as editoras têm cada vez menos capacidade para editarem muitas bandas e por isso preferem ficar com as mais conhecidas em vez de arriscarem em projectos mais alternativos. Desta vez tivemos a sorte de uma editora de Coimbra chamada ARTEZ estar interessada em nós. É uma editora pequena com poucas edições até ao momento, mas para já na minha opinião, estão a fazer melhor trabalho que as ditas grandes editoras.

Fenther – Satisfeitos com o resultado?
BunnyRanch – Sim. Trabalhamos onde queríamos e com quem queríamos (sierra vista studios com o Boz Boorer) portanto o saldo é positivo.

Fenther – Continuam fieis ao som que sempre vos caracterizou?
BunnyRanch – Acho que sim. Mas quem pode responder a essa pergunta será o publico.

Fenther – Por onde vão tocar nos proximos tempos?
BunnyRanch – Para já estamos a promover o disco nas fnacs e alguns teatros mas em breve vamos a todos os palcos que podermos.

Fenther – Como está a musica feita em Portugal actualmente, no vosso entender?
BunnyRanch – Há sempre bandas com que me identifico mais que outras. Gosto dos dead combo, mão morta, a jigsaw por exemplo. Mas sinceramente não sou grande consumidor de música portuguesa actual.

Fenther – Se perdessem o ultimo comboio, que fariam?
BunnyRanch – Íamos de avião ou de camioneta ou a pé. Mas íamos de alguma maneira.

Vitor Pinto






The Poppers conversaram com o Fenther sobre o novo disco com edição em vinil. "Up With Lust" é mais do que um regresso.

Fenther – Como estão os The Poppers actualmente?
The Poppers – Com uma grande vontade de tocar Rock n Roll e mostrar este novo disco ao máximo de pessoas possível. Acreditamos muito no UP WITH LUST.

Fenther – O que se alterou desde o registo anterior e este "Up With Lust"?
The Poppers – Muita coisa, a começar pelo baterista… pois desde 2008 que temos o Bruno “The Animal” Fernandes como baterista, sendo parte integrante da banda. O produtor do Boys keep Swinging foi o Paulo Miranda, este novo disco contou com a Produção de Nuno Rafael, o que traçou a alteração de sonoridade. Acho que somos uns sortudos em até á data termos desafiado os produtores que queríamos, e estes terem aceite. Dois profissionais exímios.

Fenther – Como surgiu a ideia da edição em vinil?
The Poppers – Quisemos valorizar o álbum assim como as primeiras pessoas adquirir o dito cujo. Achámos que o Vinil seria a melhor forma de celebrar esta primeira edição do Up With Lust. Por outro lado, era algo que ambicionávamos... Como amantes de Rock n roll, sempre foi um objecto que nos habituámos a ver como … errr “pérola”.

Fenther – Contentes com o trabalho da Rastilho?
The Poppers – YEP, na altura falámos nesta edição limitada e a Rastilho aceitou sem hesitações.

Fenther – Foi dificil editar este disco?
The Poppers – Um bocado, a editora meteu-nos de castigo a ouvir todos os exemplares da edição limitada para garantir que as faixas estavam todas incluídas… ehehehehe Não, não foi dificil. Aguardamos pela altura em que toda a equipa envolvida estaria em sintonia. A Altura certa é esta, advirto.

Fenther – Por onde vão tocá-lo ao vivo?
The Poppers– Onde nos quiserem ter, para já temos planos para promover ao máximo em Portugal, depois do concerto do S Jorge onde contamos com a presente de Sean Riley e Tó Trips, vamos ao Plano B no Porto. Vamos também tocar nas Fnacs, mas com uma abordagem diferente… acústica e exclusiva. Temos também para já planeada a passagem por Espanha, França, Brasil e talvez a Alemanha. Está a correr bem.

Fenther – Os The Poppers estão na net? Onde?
The Poppers – Estão sim, em www.myspace.com/thepoppers

Fenther – Projectos para o futuro?
The Poppers – Promover o disco, engordar e ter filhos.

Vitor Pinto




JOAH ANN LEE conversaram com o Fenther e ficamos a conhecer melhor os seus passos.

Fenther – Como surgiu o projecto JOAH ANN LEE?
JOAH ANN LEE – JOAH ANN LEE nasce das cinzas de um anterior projecto formado por três dos seus elementos, eu (Vasco) o João (guitarra) e o Juca (bateria). O Renato (voz, baixo) respondeu na altura a um anúncio para baixista. Marcámos uns ensaios e partimos dai... durante cerca de ano e meio fomos testando várias hipóteses para a voz... nada resultava. Durante esse tempo, de vez em quando o Renato brincava um pouco ao microfone e detectámos algum potencial. Apesar de musicalmente na altura ainda estarmos algo distantes do que são os JOAH ANN LEE hoje em dia, a voz adaptava-se e tinha o feeling certo... ajudou a consolidar a identidade que procurávamos.

Fenther – Acreditam que é possivel fazer musica em Portugal e viver dela?
JOAH ANN LEE – Fazer música sim, é possível... Viver dela, não. Em Portugal, os músicos não vivem da música.

Fenther – Se pudessem mudar alguma coisa, o que fariam em prol da musica e da cultura?
JOAH ANN LEE – A resposta é longa, árdua e um exercício demasiado complexo para que alguém se digne a ler até ao fim. Mas tudo resumido, era simpático que as pessoas prestassem atenção. Na era do consumo rápido e em massa, a criação artística foi banalizada, deturpada e desprezada. É preciso pedir por favor para se poder criar. Não devia ser preciso, o Homem nunca deveria ter perdido o respeito por si mesmo. A arte (seja ela música, escrita, pintura, etc) é a materialização da (na ausência de melhor definição) alma.

Fenther – Foi complicado editar este EP?
JOAH ANN LEE – Bastante, até porque não foi de todo editado! Foi disponibilizado gratuitamente em alta qualidade através de todos os canais JOAH ANN LEE - myspace, blog, facebook, twitter. Na sequência da resposta anterior, na era das novas tecnologias existem recursos que dotam qualquer um para gravar, misturar e editar com recursos semi-profissionais. Ainda assim, os JOAH ANN LEE optaram por gravar profissionalmente durante o verão de 2009 nos Blacksheep Studios com o Makoto Yagyu. Fizémos algumas edições em sleeve para efeitos promocionais, mas o EP não foi editado para fins comerciais... ainda.

Fenther – Já há fumo branco para o àlbum?
JOAH ANN LEE – Sim, há. É muito difícil para nós estagnarmos... estamos já a trabalhar em novo material e temos sensivelmente metade do álbum em pré-produção. Até ao verão contamos completar o conceito e preparar a gravação, que deverá acontecer lá para o principio do Outono de 2010. Estamos bastante satisfeitos com os resultados obtidos e o feedback de quem já ouviu é muito positivo.

Fenther – E concertos ao vivo? Já tocaram onde e para onde vão?
JOAH ANN LEE – A mini digressão de apresentação do "LION FISH" já arrancou no passado sábado dia 6 de Fevereiro no Santiago Alquimista, com SAM ALONE. Correu bastante bem e apresentámos ao vivo a totalidade do EP, algumas músicas novas e uma ou outra surpresa. Temos já uma data a 17 de Abril na Galeria do Desassossego em Beja (onde nunca estivémos) e uma outra data no Cabaret MAXIME em Lisboa, a 19 de Junho (onde contamos encerrar a Tour). Ainda existem datas por confirmar, mas o nosso objectivo é cumprir paragens obrigatórias como Porto, Coimbra, Barcelos e Leiria. Veremos...

Fenther – Há algum palco que gostariam de pisar?
JOAH ANN LEE – Claro que sim. Pessoalmente, o Coliseu dos Recreios é um sonho antigo... relativamente aos JOAH ANN LEE, neste momento... um festival de Verão, sem dúvida. Seria importante para nós pela divulgação, pelo cartaz, pelo público e pela altura do ano... seria a última actuação antes de voltar para estúdio, se tudo correr como planeado.

Fenther – Vocês estão na web? Onde?
JOAH ANN LEE – Sim, nos seguintes espaços:
MYSPACE - http://www.myspace.com/joahannlee
BLOG - http://joahannlee.blog.com
FACEBOOK - http://www.facebook.com/joahannlee
TWITTER - http://twitter.com/Joahannlee

Fenther – Escolham um tema do vosso EP. Digam-nos porque...
JOAH ANN LEE – Essa pergunta é extremamente complicada... bom, na minha opinião... o Lights Out, até porque foi a escolhida para o vídeo que contamos realizar nos próximos dois meses... mas essa é uma surpresa reservada para a próxima oportunidade! Porquê? Porque de certa forma foi uma das músicas que ajudou a construir a sonoridade dos JOAH ANN LEE. Recordo-me que foi composta num abrir e fechar de olhos e marcou definitivamente o percurso a seguir.

Vitor Pinto






UNOESKIMO em conversas com o Fenther a proposito do seu album homonimo de estreia.

Fenther – Quem são e quando se formaram os Unoeskimo?
UNOESKIMO – Somos o Carl Minnemann, Tiago Mota, João Mascarenhas, Kiko Brandão e Leandro Leonet. Iniciamos por esforço do Carl que compôs as canções e experimentou alguns músicos. O primeiro concerto em Janeiro de 2007 já foi dado com esta formação à excepção do Leandro que entrou imediatamente antes da gravação do disco.

Fenther – Como gostam de defenir o vosso som?
UNOESKIMO – Não gostamos. Temos como única regra não tocar nada que conscientemente nos pareça algo que já exista. À parte disso sentimos que ainda há muitos ambientes diferentes para visitar e desde que nos soe a nós próprios, não nos vamos coibir de o fazer.

Fenther – Foi complicado conseber este disco de estreia?
UNOESKIMO – Mais ou menos. Imagino que haja gente que atravesse bem mais problemas do que nós. Tivemos a sorte de ter uma editora ( Figura ) que acreditou e investiu em nós, e um produtor (João Ferraz) que nos deu todo o conforto e segurança que precisávamos para fazer tudo com calma. Começou a ser gravado em Agosto de 2008 e só em Maio de 2009 ouvimos as primeiras masterizações. Foi muito mais tempo do que esperávamos, e por duas vezes adiamos a data de lançamento. Fizemos a opção consciente de só parar de trabalhar quando tivesse completamente acabado, e acho que o conseguimos.

Fenther – Contentes com o resultado e com a reacção da imprensa?
UNOESKIMO – Como disse na resposta anterior, só o lançamos quando o consideramos pronto pelo que sim, ficamos satisfeitos com o disco que fizemos. Quanto à imprensa sofremos o que todos os que não têm uma major por trás sofrem. Não temos acesso a certas pessoas e órgãos que facilmente ditam a difusão e reconhecimento nacional de uma banda. Mas, progressivamente, têm havido boas respostas de pessoas que realmente se interessam e julgo que a pouco e pouco estamos a subir a escada que permitirá a muita gente conhecer a nossa música.

Fenther – Estão a presenta-lo ao vivo? por onde? E futuramente por onde vão passar?
UNOESKIMO – Fizemos o lançamento no Plano B no Porto, e depois todo o circuito de FNAC’s do norte, que nos deixou bem oleados para agora entrar nos bares em “full power”. Temos já dia 3 de Janeiro uma data no Breyner85 e 23 do mesmo mês na Casa Do Livro, ambos no Porto, e dia 30 no Kastrus Bar em Esposende.

Fenther – Neste vosso album, se quisessem destinguir alguem, quem seria essa pessoa?
UNOESKIMO – Eu destinguiria os “Horn Flakes”, que gravaram os metais no tema “Enduring Love”.Fizeram um trabalho fantástico e por um horrível erro acabaram por não ser referidos nos créditos de disco, algo que nos deixou bastante tristes.

Fenther – Os Unoeskimo estão na net? por onde andam?
UNOESKIMO – Sim. Estamos em http://unoeskimo.com e em http://www.myspace.com/unoeskimo .

Fenther – A vossa opinião sobre a musica nacional actual? O estado de saude...
UNOESKIMO – Acho que a qualidade geral têm vindo consistentemente a melhorar por todo o país.
Embora tenhamos passado algumas fases em que parecia que tudo estava adormecido, longe dos palcos os músicos portugueses têm andado ocupados a estudar, dentro e fora de Portugal, e a ensaiar, a recombinar-se de varias formas à procura de novas soluções. Isso faz com que, para mim, exista neste momento uma data de projectos cheios de valor. Infelizmente, exceptuando no Hip-Hop, normalmente quem tem conseguido a exposição e sucesso são os projectos fast-food, que duram dois ou três anos e acabam. Mas projectos como os X-wife que lhe dão no duro hà não-sei quantos anos e discos e que acabam por ser ouvidos e reconhecidos dentro e fora do País fazem-me pensar que apesar de a indústria ser muito má e cada vez pior, os músicos continuam a melhorar individual e colectivamente.

Fenther – Escolham um tema do disco. Porque?
UNOESKIMO – Disgrace. Porque é o primeiro single do disco, o primeiro single da banda. Porque não tem assim tanto a ver com nada no disco, mas de alguma forma sentimos que era o cartão de visita que por si ia seleccionar quem se aventurava a explorar-nos.

Vitor Pinto






The Dorian Grays em conversas com o Fenther a proposito do seu EP de estreia, editado no final de 2009.

Fenther – Quem são os The Dorian Grays e de onde vêm?
The Dorian Grays – Somos três rapazes com vontade de fazer caos com alguma organização e uma mão-cheia de instrumentos para o fazer. Cada um de nós nasceu num sítio diferente: o João em Vila Viçosa, o Dinis em Évora e o Miguel em Lisboa. Conhecemo-nos em Lisboa numa daquelas noites que acabam numa praça com alguém a dizer "calem-se ou levam com o balde de água", era uma Segunda-feira acho eu. Foi ficando a vontade de se fazer um projecto e quando nos reunimos as coisas resultaram bem.

Fenther – Edição de um EP por opção ou por experimentação das reacções?
The Dorian Grays – Poder-se-á dizer que foi para experimentar reacções, mas só até certo ponto. A banda tem crescido aos poucos e até haver uma maturidade que se reflicta numa colecção de muitas canções que façam todas sentido não vale a pena gravá-lo. Ainda assim há que dizer que para todos os efeitos este acaba por ser um "quase-álbum" de estreia: são 4 canções bastante longas, no total percorrem quase 30 minutos... Que é o tempo que dura boa parte dos discos de punk, por exemplo. Parece-nos que estas músicas fazem sentido sobretudo umas com as outras, daí parecer-nos que ficavam melhor sozinhas do que juntas com outra coisa só para encher. Aliás, tivemos oportunidade de gravar mais música e não o fizemos. Foi, nesse sentido, uma opção: digamos que ninguém acha que o "Morreste-me" do José Luís Peixoto é menos livro porque tem menos páginas que o "Não há coincidências" da Margarida Rebelo Pinto. Ainda que seja pequenino e dê para pôr no bolso e ir a ler no metro.

Fenther – E um album? Para quando?
The Dorian Grays – Ora aí está uma boa questão. Há muito tempo, nos anos 60 e troca-o-passo, a "cena" eram os EPs. Para os albúns ficavam as músicas que não funcionavam bem só por si e nem num lado B cabiam, mas depois vieram os Beatles... E vieram os álbuns. E depois veio a internet... E estão a voltar, lentamente, os EPs. Talvez quando estivermos com aquela ideia do "Bute gravar um álbum!!" isso já se tenha tornado obsoleto. Como já foi aqui dito, este EP é um EP porque dentro das músicas que temos estas soavam bem sozinhas e sem mais nenhuma; talvez venha o tempo em que façamos 11 músicas de 3 minutos e tenhamos um álbum que dure pouco mais que este nosso EP. Não sabemos. O futuro pertence a todos e os passos que vamos dar dependem de tanta coisa...

Fenther – Vão continuar a trabalhar com o Marc Jung?
The Dorian Grays – Gostámos muito de gravar com o Marco Jung. É daqueles gajos com pica para fazer música, um produtor interessado no som que as bandas querem e no que querem transmitir. Trata de nos pôr à vontade para fazermos o que fazemos porque ele sabe muito bem o que faz. Tivemos sessões de gravação muito longas, verdadeiras maratonas intercaladas por discussões apaixonadas sobre o que ouvíamos e os discos de que gostamos. Nas horas que passámos no Marduc sem dúvida que a cada segundo se respirou e transpirou música. Claro que também fomos transpirando algum vinho verde, mas isso é segredo por isso não contem a ninguém... Por isso, sim, gostávamos de voltar a trabalhar com ele.

Fenther – Como se apresentam vocês ao vivo?
The Dorian Grays – Apresentamo-nos os três, essencialmente. Fazemos um trio com guitarra/voz, piano/teclados e bateria/voz/atari punk machine (esta última é uma máquina fabricada por uns amigos nossos para fazer essencialmente muito ruído). Geralmente apresentamo-nos com muito barulho, muito suor e muitos gritos mas também com umas coisas mais lentas pelo meio. Gostamos de intensidade e a música sua-se seja lenta ou rápida.

Fenther – Por onde tem tocado? E por onde vão tocar?
The Dorian Grays – Bem, já tocámos em muitos sítios. Os últimos que visitámos foram o Lounge e o Musicbox, os dois em Lisboa. Estamos agora a marcar concertos de Março para a frente. Sabemos que vamos à zona Oeste inaugurar a próxima volta pelo país.

Fenther – Podemos encontrar os The Dorian Grays na net? Onde?
The Dorian Grays – Claro. No MySpace e no Facebook como toda a gente: www.myspace.com/doriangraysmusic, o endereço do Facebook também surge por lá. Ainda não temos um site oficial mas estamos a tratar disso, entretanto as redes sociais fazem-nos o favor de nos oferecer um cartão de visita.

Fenther – Acham importante o meio digital na musica actualmente?
The Dorian Grays – Claro. O futuro, quer se goste quer não, vai passar essencialmente pela música digital. Se gostamos disso… Já é uma decisão mais cinzenta. Claro que é bom andar de iPod com uma qualidade de som fantástica e 80000 canções na ponta dos dedos, claro que é óptimo ir no carro e ouvir música como deve ser e não sem metade das frequências como antigamente. Claro que é óptimo poder chegar a bandas desconhecidas pelo MySpace, e mostrar-nos ao mundo 5 minutos depois de gravar. E é generoso não ter de pagar uma fortuna para gravar um disco em condições. Mas também falta aquela coisa do “comprei um disco, ena pá ena pá ena pá ena pá ena pá”. Falta aquele sentimento que havia quando éramos putos, em que um álbum era o presente mais pessoal que se podia oferecer.

Fenther – Como está a musica nacional na vossa opinião actualmente?
The Dorian Grays – Muito melhor que há anos, que era só saber tocar uma guitarra para se ser um rei do Rock. Hoje em dia a qualidade é muita e começa a sobressair cada vez mais a singularidade das bandas para além daquele “isto 'tá muita cromo pá”.

Fenther – Como definem o vosso som? Neste EP há varias vertentes sonoras, certo?
The Dorian Grays – Rock. Alternativo. Com cheiros de electro-punk e de classicismo, mas só assim de lado do prato, com um cheirinho de pop, mas como a pop, como a noz-moscada se nota logo… Nota-se logo. Sinfónico, cada música atravessa pelo menos 3 canções. E um bocado de rave, claro, daquele com saltos em cima de amplificadores e a partir teclas de piano com os pés.

Fenther – Palavras finais...
The Dorian Grays – Um enorme bem-haja por nos fazerem tantas perguntas. E um grande-enorme bem-haja para quem as veio ler!

Vitor Pinto






Está ai o segundo registo dos La la la ressonance. O Fenther esteve à conversa com a banda de Barcelos.

Fenther – Qual o tamanho do passo dado entre os The Astonishing Urbana Fall e os La la la ressonance?
La la la ressonance – É do tamanho de um salto paradigmático, pois apesar de ambos os nomes se referirem ao mesmo grupo de pessoas, em termos estéticos não há muitos pontos de contacto. E o mais bizarro é que nem sequer podemos falar dum processo consciente de mudança desencadeado por um qualquer tipo de saturação da sonoridade anterior, muito pelo contrário. Nós estávamos tão confortáveis na pele dos TAUF que chegámos mesmo a entrar em estúdio em 2005 para gravar aquele que teria sido o primeiro álbum da banda em cerca de dez anos de existência. Contudo, durante as gravações fomos surpreendidos por uma sonoridade de tal forma diferente de tudo o que tinhamos feito até então, que não havia como fugir à crise de identidade da qual emergiram os Lllr. Desafiando-me a mim mesmo a sintetizar as duas bandas em apenas três palavras, com o objectivo de melhor clarificar as diferenças entre elas, eu diria que se os TAUF eram corpo, incerteza e efemeridade, os Lllr têm muito mais a ver com cérebro, transparência e intemporalidade.

Fenther – Este é o segundo registo. Estão contentes com o vosso trabalho editado?
La la la ressonance – Claro que sim, sobretudo devido à complementaridade dos dois registos. O "Palisade", o nosso álbum de estreia editado em 2006, é um objecto estranho (no sentido mais "Tim Burton" da palavra) composto por 16 temas que, quer pela convivência improvável de universos sonoros distantes quer pela sua fragilidade, melancolia e contenção, mais parecem estilhaços da tal revolução identitária que se impôs durante o processo de gravação. O "Outdoor", por outro lado, é um disco sem qualquer pachorra para crises adolescentes. Três anos passados sobre a edição do "Palisade" eu diria que os La la la ressonance já não sabem nem querem ser outra coisa, daí que o segundo registo se apresente mais rítmico, alegre e "decibélico". E apesar de nele se materializar uma parceria insólita da banda com o Quad Quartet, um quarteto de saxofones erudito, nunca como agora fez tanto sentido em falar-se também duma coerência a nível estético.

Fenther – Como tem reagido a imprensa ao vosso percurso?
La la la ressonance – Depois da ousadia e imprevisibilidade dos TAUF julgo que a imprensa portuguesa estava já preparada para quase tudo, menos para o fim da banda. A notícia da nossa transmutação em La la la ressonance veio num primeiro momento revelar o peso da marca dos TAUF no panorama musical português, um peso que a nós nos surpreendeu pelo facto de nunca nos termos levado muito a sério. E confesso que a insistência nesse saudosismo taufiano por parte da imprensa, aquando da promoção do nosso primeiro disco como La la la ressonance, chegou mesmo a irritar-nos pois víamos o nosso entusiasmo com o presente ser sistematicamente forçado a responder sobre o passado. Mesmo agora, na promoção do Outdoor, julgo que ainda não demos nenhuma entrevista sem qualquer referência aos TAUF. Mas já sentimos que algo mudou, pois esta menção parece-nos ser agora mais uma questão de genealogia, uma breve passagem pelas origens que dá lugar de forma cada vez mais rápida a um interesse genuíno por aquilo que andamos a fazer agora.

Fenther – E os concertos tem corrido bem? Por onde tem passado?
La la la ressonance – Ainda mal começamos, mas até agora os concertos que demos excederam as nossas expectativas tanto em termos de bilhetes vendidos como de entusiasmo por parte do público presente. Começamos em "grande" num Pequeno Auditório do Theatro Circo de Braga praticamente esgotado, com nove músicos em cima do palco - banda + Quad Quartet - a deixarem-se levar por quase hora e meia de música instrumental, um formato no mínimo arriscado que mesmo assim conseguiu arrancar da sala uma reacção calorosa. Depois seguiu-se a prova de fogo no Subscuta em Barcelos, ou seja, levar o "Outdoor" ao palco sem o arsenal saxofonístico, e apesar da vantagem de jogarmos em casa foi reconfortante sentir que somos capazes de dar dois concertos bastante diferentes baseados no mesmo disco, sem qualquer complexo de inferioridade ou sensação de vazio motivados pela ausência do quarteto. Pelo meio demos um showcase no Porto na loja da CDGO.

Fenther – Os proximos serão onde?
La la la ressonance – Não sei se esta entrevista será publicada a tempo, mas no próximo fim-de-semana em plena noite das bruxas estaremos em Tomar no Theatro Bar. Depois faremos uma pequena pausa na tour de promoção antes de atacarmos Porto e Lisboa lá mais para o final do ano. Assim, tocamos no Passos Manuel no Porto a 28 de Novembro e no Teatro Aberto em Lisboa a 8 de Dezembro. E não posso deixar de referir que para além de voltarmos a contar em ambos os concertos com a presença em palco do Quad Quartet, iremos partilhar o cartaz dessas datas com o Noiserv, um projecto que acompanhamos com interesse e respeito há já algum tempo.

Fenther – Sentem-se apoiados por parte do publico, pela imprensa e pelo estado?
La la la ressonance – Já aqui falei da nossa relação com a imprensa e no que toca ao estado seria fácil preencher umas quantas linhas desta entrevista com clássicos retirados da análise política taxista da estirpe do "Isto é uma vergonha!", mas a verdade é que até hoje ainda mal batemos nessa porta. No que toca ao nosso público a primeira coisa que me ocorre dizer é que agora, pela primeira vez desde que somos La la la ressonance, julgo poder falar disso mesmo: do "nosso" público. Nos primeiros tempos era quase impossível discernir quem eles eram pois entre taufianos confusos, jazzers entediados e rockers imberbes a dar os primeiros passos longe das canções, a nossa música parecia atrair de tudo um pouco. Desta esquizofrenia inicial há um traço que se manteve até hoje e que é talvez o meu maior motivo de orgulho sempre que piso um palco enquanto membro dos Lllr: o carácter transgeracional das nossas audiências. Não dá para explicar o bem que sabe ver uma cabeça meia calva e esbranquiçada a abanar de contente ao ritmo da sapatilha All Star adolescente da cadeira do lado.

Fenther – Como definem o vosso som?
La la la ressonance – Não me levem a mal mas sempre achei que esta é talvez a questão mais infrutífera que se pode fazer a um artista que acaba de criar: a definição da sua própria obra. Especialmente num contexto de música instrumental, como é o caso dos La la la ressonance, pois se fizéssemos canções poderia pelo menos agarrar-me ao conteúdo das letras para tentar satisfazer a vossa curiosidade neste ponto. A verdade é que a definição é sempre posterior à fruição, por isso talvez um dia mais tarde quando a música do "Outdoor" já não mexer comigo a um nível tão visceral eu possa dar uma definição minimamente interessante. Para já só vos posso adiantar o óbvio: música instrumental situada algures num cruzamento entre o jazz, a pop, o rock e a música erudita... parece uma empreitada impossível, mas quem ouvir o "Outdoor" irá perceber o que quero dizer.

Fenther – Influenciados por quem ou por quê?
La la la ressonance – Os La la la ressonance são um grupo de pessoas de tal forma heterogéneo em termos de idades, vivências, rede social e actividades, que falar de influências da banda seria uma lista exaustiva de gostos pessoais sem denominador comum. No meu caso, por exemplo, teria de mencionar os estudos de Leo Brouwer para guitarra clássica como a obra com maior influência a nível técnico e harmónico na criação das minhas malhas lalalianas.

Fenther – Como vêm os La la la ressonance a actual musica nacional?
La la la ressonance – A multiplicação desenfreada de projectos musicais a que temos assistido nos últimos anos no panorama nacional, tem a meu ver consequências distintas. Segundo uma perspectiva quase darwinista parece-me óbvio que a explosão de actividade neste campo é de louvar pois há uma maior probabilidade de esbarrarmos em algo muito bom... mas por outro lado, corre-se o risco de nunca se dar essa colisão, de a boa música não conseguir sobressair do ruido circundante. A filtragem passa assim a ser uma tarefa fundamental, um aumento exponencial da responsabilidade da imprensa especializada que a meu ver ainda não tomou plena consciência deste facto.

Vitor Pinto






O Fenther teve o prazer de trocar algumas palavras com os Irlandeses Fight Like Apes. Delicioso!

Fenther – Tell us who are Fight Like Apes and when it starts?
Fight Like Apes – Fight Like Apes are a 4 piece band from Dublin. We weigh in total just over 250 Kilos. Our combined ages are now officially over 100. Amazing, no? We started playing music together about two years ago out of pure boredom. Funny thing is, the boredom is now gone! Maykay, Pockets, Adrian and me, Tom! are the names of the members.

Fenther – How you define your sound?
Fight Like Apes – Angry, noisy synth punk. We take influences from Pavement, Yo La Tengo, Atari Teenage Riot, Sonic Youth etc. We don't really sound like them though, maybe we're a bit more like Bikini Kill or Babes In Toyland.

Fenther – "Fight Like Apes and the Mystery of the Golden Medallion" what it means?
Fight Like Apes – This is our debut album title. The title comes from an often forgotten episode of the MR. T cartoon where the medallion is stolen from the Olympics by a pair of thieves. It's a sinister tale. Don't be fooled by the cartoon-ish presentation of this programme. It is certainly hard hitting and definitely nail biting. We believe in MR. T very strongly.

Fenther – Are you happy with this work?
Fight Like Apes – Oh, very much so! We produced the best album we could at the time and are all very proud of it! Hopefully the next will be just as much fun to produce. It was made in Seattle WA, and having to live in a city like that for a month is an amazing and weird experience.

Fenther – Your next gigs you play where?
Fight Like Apes – At the moment, we're finishing our run of the summer festivals! Next is a tour of Germany and some dates in Belgium and Netherlands in the autumn. I want to go to Portugal, because I've never been!

Fenther – You know Portugal? What?
Fight Like Apes – Yes! I want to go. I hear it's hotter than a cup of English tea in the summer. Maybe I'll go in winter. We don't hear much about Portuguese music, are Tara Perdida worth checking out?

Fenther – Plans for the future?
Fight Like Apes – Make another album! We begin writing again as soon as the German tour is over. This should be an interesting time. Then, hopefully we can release it next year! Boom.

Fenther – Choose one song of this record... (Tell us why this choice)
Fight Like Apes – My favourite might be 'Digifucker'. We put like, a million instruments into it and made it completely ridiculous. You can tell that the song really tells a story. I like the french horn.

Hope see you soon here in Portugal...
Yes!
Thanks! Cheers...

Obrigado! I am Tom.

Vitor Pinto






JP Coimbra em conversa com o Fenther a proposito da estreia do projecto Andrew Thorn.

Fenther – Como nasce este projecto?
Andrew Thorn – A ideia surgiu por volta de 2007, quando começaram a surgir alguns temas que não encaixavam, nos projectos que até então vinha a desenvolver. Achei por isso, que o melhor seria, iniciar algo de raiz, onde pudesse dar seguimento a estas ideias.

Fenther – Uma vontade de fazer coisas novas, diferentes?
Andrew Thorn – Sim, Representa a vontade de 4 pessoas que querem tentar coisas novas. Vejo quase como uma obrigação, tentar em cada disco, ir um passo à frente daquilo que já fiz. Acho que nos mantém despertos.

Fenther – Este é um EP de apresentação ou de teste?
Andrew Thorn – As duas coisas. Quando lanças alguma coisa, ficas sujeito ao escrutínio dos que te vão ouvir. É o contrato! Existiam estes temas e quisemos lança-los agora, por achar que não fazia sentido, esperar por mais temas ou usar outros existentes, mas que não preenchiam os requisitos.

Fenther – Muito bem conseguida a versão de Tricky. São seguidores dele?
Andrew Thorn – Quando surgiu sim. os primeiros discos foram muitos inovadores. Eu comecei a compor da mesma forma que ele fazia: sampler e caixa de ritmos. Não altura não sabia tocar nenhum instrumental tradicional e o sampler permitiu-me fazer os meus primeiros temas. Há uns meses, estava a tocar num teclado antigo e veio-me à memória esse tema. Ficou bastante diferente do original!

Fenther – Vão andar na estrada a apresentar Andrew Thorn?
Andrew Thorn – Sim, temos uma digressão planeada a partir de Outubro.

Fenther – Já se apresentaram ao vivo, quais as reacções?
Andrew Thorn – •Muito boas. Já o tínhamos feito antes do disco sair e foi uma das razões que levou a grava-lo. Ver a reacção das pessoas, nos concertos, foi inspirador.

Fenther – Como vêm a musica nacional actualmente?
Andrew Thorn – Acho que está a passar um dos seus melhores momentos. Há muitas bandas com qualidade e isso só faz bem, empurra para cima e cria um clima competitivo, mas salutar.

Fenther – Vamos poder contar com um álbum Andrew Thorn em breve?
Andrew Thorn – Sim. Em princípio para o ano...

Vitor Pinto






Ölga em conversa com o Fenther a proposito do novo "LA RÉSISTANCE". As palavras de João Hipólito.

Fenther – Depois de tanto tempo, o regresso. Como estão actualmente?
Ölga – Bem, de momento estamos na estrada a promover o nosso novo trabalho LA RÉSISTANCE e a compor e gravar novos temas.

Fenther – Esta paragem foi necessária para retomar forças e seguir um novo rumo?
Ölga – Na realidade não houve paragem, o processo de construção deste novo trabalho começou quando ainda estávamos a promover o « what is » e decidimos abdicar das actuações ao vivo para nos dedicarmo-nos durante um período de tempo apenas á composição dos temas que incluímos no LA RÉSISTANCE. Em 2007 fomos para estúdio e devido a alguns problemas de carácter artístico que culminou com a rescisão do contrato com a nossa antiga editora Borland, o processo de edição foi atrasado.
Decidimos então assumir todo o processo de produção e misturamos o álbum nos estúdios Golden Pony com a preciosa colaboração do Eduardo Ricciardi, que nos orientou e tornou possível a concretização das nossas ideias, e finalmente fizemos a masterização em N.Y com o Tom Durack. Desta forma garantimos que o produto final fosse do nosso agrado e correspondesse às nossas exigências, infelizmente todo este processo foi demorado, mas foi algo que nos deu ainda mais vontade de continuar.

Fenther – Descrevam-nos La Résistance (o vosso novo álbum)…
Ölga – O LA RÉSISTANCE e o fruto da continuidade e maturação do projecto, é um álbum eclético onde se denota a fusão de diferentes estilos que compõem o nosso universo musical. Centrado numa base rock com influências psicadélicas é um álbum que vive de intensidades e detalhes ao nível das vozes e da composição dos arranjos instrumentais.

Fenther – Foi complicado edita-lo?
Ölga – A edição foi também algo complicado e caricato, pois após a rescisão com a Borland, naturalmente contactamos com outras editoras para a possível edição e distribuição do LA RÉSISTANCE. Depois de analisadas as diferentes propostas, optamos uma vez mais por assumirmos nós a edição, pois embora seja mais trabalhoso as vantagens são sempre maiores quando comparadas com as oferecidas pelas editoras. Optamos por realizar uma edição física de “luxo” em digipack com um layaout e cd muito porreiro (como se fosse um objecto de colecção para gente que ainda prefere o cd ao mp3), e contamos para isso com a ajuda da Skinpin Records que lançou 200 unidades para promoção e também com o apoio da Skud&Smarti para a distribuição física do álbum. Pretendemos também disponibiliza-lo e edita-lo online.

Fenther – Vão apresenta-lo ao vivo por onde?
Ölga – De momento já temos concertos agendados durante todo o mês de Setembro e Outubro, para Lisboa, Porto, Guimarães e Barcelos e iremos realizar showcases de apresentação pelas fnac’s de todo o país. O nosso intuito é promover ao máximo o álbum em Portugal e pretendemos também tocar além fronteiras, nesse sentido existe já a possibilidade de realizar alguns concertos em Brooklyn e em Barcelona, vamos ver…

Fenther – Quais as vossas actuais referencias?
Ölga – • Apenas falando por mim e nas coisas mais actuais fascina-me a loucura e harmonia de bandas como os Animal Collective, Arcade Fire e os The Dodos, mas não deixo de me surpreender pela simplicidade e pela força de bandas da velha guarda como os Pixies, os Beatles e dos Pink floyd na sua fase mais psicadélica.
No panorama nacional ando a ouvir os Gnu e Norberto Lobo que é sem duvida uma referência na forma de tocar guitarra.

Fenther – Como está a actual musica nacional na vossa opinião?
Ölga – Existe muita gente a fazer boa musica, e nesse aspecto penso que basta ouvir a compilação dos novos talentos da fnac, ou programas como o do Henrique Amaro para se ficar com um visão bastante positiva daquilo que se anda a fazer em Portugal. No entanto penso que o que falta são apoios por parte da indústria musical, dos promotores de espectáculos e do público que parece estar adormecido…

Fenther – • Ultimas palavras…
Ölga – “LA RÉSISTANCE”:

1. Força por meio da qual um corpo reage contra a acção de outro corpo.
2. Defesa contra o ataque.
3. Oposição.
4. Delito que comete aquele que não obedece à intimação da autoridade.

(João Hipólito)
ölga

Vitor Pinto






Sizo e o album de estreia "Got To Love People Who Set Themselves Up For Disaster".

Fenther – Como estão os Sizo actualmente?
Sizo – Bem, de saúde e sem gripe A.

Fenther – Estão de regresso ao activo depois de uma intensa jornada no passado. Qual o saldo da promoção de "Nice to Miss You"?
Sizo – Bom, muito bom, tendo em conta um disco que não teve edição física até agora, em que esse trabalho de promoção foi feito por nós sem qualquer tipo de agência, e nos fez tocar em Festivais como Paredes de Coura, Alive, Noites Ritual, ir aos Açores e ir a Espanha várias vezes, tocar com boas bandas. Grande parte destes concertos foram memoráveis para nós. Tendo em conta estes aspectos, acho que foi muito bom.

Fenther – Aparecem então este ano com um novo single. Fala-nos sobre ele...
Sizo – Chama-se She Nods, é uma letra que fala sobre uma relação, e uma música de uma banda que voltou com fome de tocar.

Fenther – Tema este que está a ser cartão de visita para o novo àlbum dos Sizo?
Sizo – Sim, foi-lhe dado o nome de single.

Fenther – Será uma edição de autor, disponivel para download como aconteceu com o anterior album?
Sizo – Não, este disco tem edição fisica, juntamente com o anterior Nice To Miss You, que vem aqui como cd bónus. Já está á venda nas lojas de discos mais interessantes.

Fenther – Vão começar já a roda-lo na estrada, ou aguardam pela edição? Já há concertos marcados?
Sizo – Somos uma banda que mal faz uma música nova, experimenta-a ao vivo para ver como resulta. Acho que se tocassemos sempre a mesma coisa, nos iamos fartar. Da mesma forma que adaptamos músicas que já tocamos há algum tempo, e da mesma forma que pegamos em músicas dos sonics, dos devo ou dos voidoids. Gostamos de ir mudando.

Fenther – Vão trabalhar com a Xinfrim? Como apareceu esta união?
Sizo – Amigos em comum, interesses em comum.

Fenther – Ao vivo, vão manter a mesma energia que os Sizo nos mostraram anteriormente?
Sizo – Vamos ser o que sempre fomos ao vivo, se calhar mais competentes. A tendência é ir aprendendo e melhorando.

Fenther – A web continua a ser uma ferramenta importante para vocês?
Sizo – Sim, no sentido de espalhar informação e chegar ás pessoas de uma maneira mais ou menos livre. O video não passa na mtv, mas passa nos youtubes, ou vimeos, que são sitios que nos interessam.

Fenther – Definam em poucas palavras o registo GTLPWSTUFD...
Sizo – Rock prá frente.

Vitor Pinto




A Jigsaw e o fabuloso "Like the Wolf". Tema de conversa com o Fenther.

Fenther – Como nasce este projecto?
A Jigsaw – Este projecto nasceu da vontade de criar música. Supomos que não tenha sido muito diferente dos primeiros passos de tantas outras bandas. Claro que no nosso caso, quando começámos, as pessoas que constituíam os a Jigsaw não éramos os três. A formação foi-se alterando com os anos, excepto no caso do Jorri e do Joao Rui, que já cá estão desde o início. Entretanto a Susana tornou-se parte integrante da banda após ter sido convidada para o nosso primeiro álbum “Letters From the Boatman”, onde veio contribuir com o violino para duas faixas.

Fenther – A edição do EP "From Underskin" foi um passo importante para estarem aqui hoje?
A Jigsaw – Sem dúvida. A edição desse Ep foi de suma importância, porque foi a primeira vez que decidimos calcular de forma profissional a nossa carreira enquanto artistas, no que diz respeito à vertente discográfica e a forma como depois se transporta isso tudo para a mecânica da banda que, até essa data, poderia ser considerada mais “errante” ou mais “amadora”. Claro que agora olhamos para trás e conseguimos ver a forma como errámos em algumas coisas, ou que as poderíamos ter feito melhor, mas achamos que são passos importantes pelos quais todas as bandas acabam por passar. Até ao nível da “construção” ou da procura incessante do nosso som, esse registo em disco foi importante, porque são marcos a partir dos quais se partem para outros caminhos.

Fenther – Três anos depois a edição do primeiro álbum. Como correu?
A Jigsaw – Quando gravámos o “Letters From The Boatman” já sabiamos que não íamos ser um mega sucesso de vendas, que de um momento para o outro íamos ser reconhecidos na rua… Sabíamos, isso sim, que naquele momento estávamos a dar o nosso melhor e que estávamos no início de uma viagem, que esperamos que seja longa. Ainda assim, as coisas correram muito bem, o álbum esteve em bastantes listas dos melhores do ano, o single “Lion’s Eyes Louder” esteve 10 semanas consecutivas no top da Antena 3, tendo inclusive chegado a primeiro lugar, fomos convidados pela mesma rádio para o tocar no seu 14º aniversário, fomos destaque na Antena 1, para a qual fizemos uma versão de um tema intemporal do David Bowie, “Rebel Rebel”.
Mas, acima de tudo, todo o trabalho que foi feito desde o lançamento do “Letters From The Boatman” fez com que, quando parámos para trabalhar neste novo trabalho “Like The Wolf”, soubéssemos exactamente o que queríamos, foi como o culminar da viagem do barqueiro, chegámos finalmente ao nosso destino. Por isso, resumindo, o principal resultado do “Letters From The Boatman” é o “Like The Wolf”, e quem ouvir os dois álbuns vai perceber que muita correu bem desde então.

Fenther – Como aparecem aqui tantos convidados de "luxo"?
A Jigsaw – Os convidados aparecem de uma maneira bastante natural. Tínhamos acabado de ficar sem baterista e decidimos logo que íamos convidar várias pessoas, fizemos os convites que culminaram na presença do Bérito, do Sérgio Nacimento e do Kaló. Depois, à medida que trabalhávamos nas músicas, fomos sentindo a necessidade da presença de mais instrumentos, instrumentos esses que na altura não tocávamos, como foi o caso do Gui na harmónica, do Marco Nunes na lap steel ou do Carlos Santos no acordeão. Tivemos ainda a presença da Raquel Ralha nas vozes, da Marta Navarro no violoncelo e da Susana no violino, que na altura ainda foi só convidada. Esse convite acabou por culminar na entrada da Susana nos a Jigsaw depois da saída do Augusto Cardoso, que hoje é o guitarrista dos Bunny Ranch.
Mas acima de tudo pretendíamos que os convidados trouxessem algo de seu e as músicas deixassem de ser apenas nossas… e agora já não o são.

Fenther – Como definem o som de A Jigsaw?
A Jigsaw – Sermos nós a definirmos o som é subjectivo, ou pelo menos parcial. Curiosamente, uma das grandes diferenças que sentimos durante o processo de criação deste “Like The Wolf” em relação ao álbum anterior foi o sentir que estávamos a caminhar para um terreno nosso. Demasiado nosso. Se durante o “Letters…” poderíamos sentir que estávamos mais próximos de um ou outro tipo de música, desta vez tivemos a nítida sensação que estávamos a criar o nosso som. Não querendo obviamente dizer com isto que não há referências, mas que desta há um cunho muito pessoal de nós os três.

Fenther – 2009 e um novo registo "Like the Wolf". Foi dificel pôr este álbum cá fora?
A Jigsaw – Não foi difícil, mas sim trabalhoso. O álbum está ser preparado desde 2007, altura em saiu o “Letters From The Boatman”, que coincidiu com a saída do Augusto Cardoso e da entrada da Susana Ribeiro. Começamos aí uma nova etapa na vida dos a Jigsaw, nova formação, novos instrumentos, o elemento feminino na banda, novos métodos. E foi este o começo. Depois, e como já tinha acontecido no álbum anterior, surgiu o conceito pelo qual se ia reger tudo, letras, músicas, grafismo, fotos, vídeos – o tal Lobo de que se fala… “Oh let’s just sing of the old, the good old days, Let’s just bring them back, And hear them on hi-fi stereos”. A partir daí foi dar forma a canções que iam sendo escritas entre ensaios e concertos. Fechamo-nos na sala de ensaios e começamos a gravar as ideias que tínhamos e a fazer arranjos, enretanto o nosso produtor Miro Vaz, com quem já tínhamos trabalhado no “Letters From The Boatman”, já ia pensando na melhor forma de dar vida às nossas ideias. Mas acima de tudo foi sempre um processo bastante natural, muito orgânico. Quando chegámos a estúdio, foi meramente mais uma etapa, que culminou com o cuidado nas misturas. Como se costuma dizer, quem corre por gosto não cansa e nós neste caso corremos a maratona com no coelho da Alice do país nas Maravilhas como lebre.
Acima de tudo com este álbum procurámos criar uma identidade própria, nos arranjos, na produção, no conceito, e sinceramente achamos que conseguimos, pelo menos estamos bastante satisfeitos com o resultado final.

Fenther – Quem são os convidados desta vez?
A Jigsaw – Desta feita, os convidados foram a Becky Lee Walters, a nossa one girl band do Arizona, que nos veio acompanhar na voz, no tema “His Secret” e no” Reurn To Me”. Tivemos dois membros dos Soaked Lamb em duas faixas: o Gito no contrabaixo e o Miguel Lima na bateria, o Carlos Ramos dos Pluma em algumas baterias e, por fim, tivemos o nosso Drunken Sailors Choir, formado por vários elementos que estiveram directa ou indirectamente envolvidos na concretização deste sonho: Banda, Amigos, Convidados… e o omnipresente Jackie!
Não o podendo chamar de convidado, porque é um amigo e depois ainda acumula o cargo de Produtor, engenheiro de som, masterizador e tudo o mais, tivemos mais uma vez ao comando das gravações o Miro Vaz, provavelmente a única pessoa que era capaz de registar este álbum desta banda, tal qual nós o imaginávamos, e ainda capaz de nos surpreender com o seu input criativo. Um “convidado” de respeito.

Fenther – Vão apresentá-lo ao vivo? Por onde?
A Jigsaw – Vamos fazer a habitual peregrinação pelas fnac’s na senda da promoção ao álbum, passando também por algumas salas onde fomos muito bem recebidos no passado, como é o caso do Maxime ou da Tertúlia Castelense. Principalmente queremos chegar ao maior número de pessoas.
Mas acima de tudo, ao vivo, vamos tentar reproduzir o mais fielmente possível o “Like The Wolf”, claro que como gravámos cerca de 18 instrumentos em estúdio será sempre impossível reproduzir na integra este álbum ao vivo, mas vamos tentar fazer com que quem ouça o álbum e veja um concerto nosso não estranhe, reconheça as músicas, mesmo que sejam tocadas de maneira diferente. Embora nunca deixando o formato mais intimista, mas despido, voltando à raiz da construção das músicas.
Além disso vamos tentar que seja com este álbum que galguemos fronteiras, e alarguemos território, saindo de Portugal, possivelmente começando por Espanha, mas com música na bagagem para chegar a paragens bem mais longínquas.

Fenther – A fechar... três palavras para descrever este trabalho, que na nossa opinião, se arrisca a ser álbum do ano...
A Jigsaw – Sangue, Suor e Lágrimas…

Fenther – Como acham que está a musica nacional actualmente?
A Jigsaw – Sinceramente achamos que é cada vez melhor e em maior quantidade. É fácil enumerar projectos que tem bons álbuns, bem gravados, bem produzidos, estética e liricamente ricos… Sendo nós de Coimbra, é com agrado que vemos bandas como WrayGunn, Lengendary Tiger Man, Bunny Ranch, D3O, JP Simões, Anaquim, Sean Riley and the Slowriders serem reconhecidos nacional e no caso de WrayGunn e Legendary terem já um historial rico além fronteiras… e achamos que o que falta, é as bandas acreditarem que é possivél ir lá para fora, apostarem na qualidade e arriscar, porque uma boa música, será sempre uma boa música, aqui em Portugal ou em qualquer parte do Mundo. A massificação da internet veio tornar isso possível.
A música made in Portugal está de boa saúde e recomenda-se. Por isso vão ver concertos e comprem cd’s de bandas portuguesas, que provavelmente irão ter boas surpresas.

Vitor Pinto






Old Jerusalem apresenta o novo registo "Two Birds Blessing" no Fenther. As palavras de Francisco Silva...

Fenther – Francisco, como está a aventura Old Jerusalem actualmente?
Old Jerusalem – Está bem, obrigado. :-) No fundo, prossegue o seu percurso, sem grandes percalços mas com suficientes novos caminhos para manter a sua relevância.

Fenther – Este novo disco, foi pensado para ser um grande disco ou nasceu naturalmente?
Old Jerusalem – Bom, idealmente todos os discos são pensados para serem grandes discos, na mesma medida em que todos nós tentamos ser as melhores pessoas que pudermos ser. Nesse esforço alguns chegam ao topo do Evereste, descobrem a relatividade, pintam a Mona Lisa, etc; outros ficam um pouco aquém desses feitos grandiosos e de grande visibilidade. Certamente todos queriam chegar tão longe quanto possível.
Eu queria o mesmo para este disco, como é evidente, quero sempre, mas as circunstâncias que envolvem a confecção de um álbum de Old Jerusalem ditam também que a sua germinação não pode ocorrer de outra forma que não seja "natural": não há tempo ilimitado para dedicar ao arranjo e gravação das canções, pelo que o tempo de trabalho no disco tem de ser conjugado com os outros tempos de que é feita a vida comum de todos os dias. Acho que a isso se pode chamar "nascer naturalmente".

Fenther – Em três palavras define este disco.
Old Jerusalem – TWO. BIRDS. BLESSING.
Desculpa, não resisti, sou mau a responder a perguntas deste género, não saberia descrever em três palavras o disco. Em boa verdade, também não saberia fazê-lo em 100 palavras... :-)

Fenther – Uma paragem agora pela Rastilho. Como aconteceu?
Old Jerusalem – Embora o trabalho com a Bor Land tenha sido até ao momento (e continue a ser, eles continuam a gerir as marcações de concertos de Old Jerusalem) bastante positivo, os timings que eu tinha programado para o lançamento deste disco não eram adequados para que fosse a Bor Land a editá-lo. Concordámos por isso que o que melhor convinha a todos era que eu procurasse outras alternativas de edição. Já tinha conhecimento do trabalho da Rastilho, e sempre me pareceu bem conduzido, pelo que, quando manifestaram interesse em editar o álbum, as coisas conjugaram-se rapidamente.

Fenther – Já há datas para o apresentares ao vivo?
Old Jerusalem – Estamos a trabalhar no agendamento de concertos de apresentação do disco. Neste momento estão confirmadas apresentações ao vivo a 3 de Abril, no Porto (Maus Hábitos), 4 de Abril em Estarreja (Cine Teatro de Estarreja), a 11 de Abril um showcase na FNAC de Coimbra, 18 de Abril em Lisboa (ZDB) e um showcase a 29 de Abril na FNAC Mar, em Matosinhos. Continuamos entretanto a trabalhar noutras datas, à medida que se forem confirmando serão adicionadas à agenda da página myspace de Old Jerusalem (www.myspace.com/oldj).

Fenther – Qual a exposição "live" de Old Jerusalem?
Old Jerusalem – O trabalho na marcação e gestão dos concertos de Old Jerusalem é um dos aspectos em que mais temos focado a atenção de há uns tempos para cá. Sinto que não estamos num nível de actividade ideal, gostaria de tocar mais, mas nem sempre nos são facilitadas as condições para o fazer. Vamos fazendo o possível, tentando ao mesmo tempo ir "forçando" a entrada num patamar mais confortável de funcionamento.

Fenther – Onde queres chegar? Objectivos?
Old Jerusalem – Tenho 2 ideias recorrentes que me aparecem por vezes como o melhor a que poderei aspirar: ter finalmente disponibilidade material e de tempo para gravar um/mais disco(s) sem as restrições que limitaram o trabalho nos álbuns anteriores; ter capacidade em algum momento para dedicar uns 5-10 anos da minha vida a fazer música em exclusivo. De resto, numa perspectiva mais próxima, apenas o de prosseguir com a actividade criativa de Old Jerusalem, em concertos, discos, colaborações, etc.

Fenther – Vamos esperar por mais retractos sonoros de Francisco Silva num futuro próximo?
Old Jerusalem – Espero que sim, há material suficiente para desenvolver mais algumas coisas e confio que a escrita de canções me continuará a interessar. Desde que as musas não amuem, eu lá vou escrevinhando... :-)

Vitor Pinto




O Fenther falou com Monstro Mau a proposito da edição do seu novo video.

Fenther – Como estão actualmente os Monstro Mau? E quem são os elementos actuais?
Monstro Mau – A formação continua a mesma desde o seu nascimento.Alex Liberalli – Voz, Budda – Guitarra, Nico – Bateria, Tó Barbot – Baixo.
Actualmente o Monstro Mau tem andado em gravações do 2.º álbum.
O ano de 2008 foi positivo para o Monstro mau, ganhámos o Festival Internacional de Vídeo clip de Póvoa de Varzim com o vídeo "Mostro o meu Monstro Mau". Entramos com dois temas na Telenovela portuguesa "Vila Faia".
Fizemos um série de concertos na Tour de lançamento do Álbum "Mostro o meu Monstro Mau"e tocamos por todo o país e gravamos o vídeo clip "Como é Bom"

Fenther – Por onde tem andado? Concertos? Composições?
Monstro Mau – Neste momento o Monstro Mau encontra-se no seu esconderijo secreto (em Braga, quem vai para o Lidl, não vira na primeira, não vira na segunda, vira na terceira) a preparar o seu 2º disco. Estamos também a organizar a Tour “Como é bom” com uma série de concertos. As composições não têm altura marcada, não paramos para compor ou coisa do género. A maior parte das músicas e letras são do Budda, que nunca escolhe hora para compor, basta apenas sentar-se no seu trono com uma guitarra. Depois, o Monstro Mau trata de arruinar o que foi criado e trazer cá para fora o que lhe vai na alma, traduzindo-se nesta sonoridade tão característica.

Fenther – Continuam a usufruir das instalações do Estádio 1º de Maio?
Monstro Mau – Sim, sem dúvida.

Fenther – Qual a vossa opinião sobre estas salas de ensaio em Braga?
Monstro Mau – Foi a melhor coisa que alguma vez foi feita no que diz respeito ao apoio às condições de trabalho das bandas. São salas completamente insonorizadas e acusticamente tratadas que permitem um convívio muito interessante de personagens e estilos musicais. Não queremos outra coisa, podemos dizer que foi lá que o Monstro Mau deu os primeiros passos e sem estas salas muita coisa não teria sido possível. Muitas bandas novas de Braga tiveram naquelas salas um refúgio para amadurecer, crescer e vingar na cena musical Portuguesa. Só lamentamos que muita gente que por lá passa não dê a devida importância ao que tem, não tendo o devido cuidado com o que é de todos.

Fenther – Vão iniciar uma tour agora? Por onde vão passar?
Monstro Mau – 21 Março: Bar concerto N 101 (Calda das Taipas), 27 Março: Alla Scala (Braga), 28 Março: Praça da Cidade (Oliveira de Azeméis), 3 Março: Plano B (Porto), 10 Abril: Cabaret Maxime (Lisboa) e 5 Junho: El Contrabajo (Pontevedra)
Ainda vão se agendar mais concertos, por isso temos o myspace para as pessoas mais interessadas estarem ao corrente de tudo: www.myspace.com/monstromau

Fenther – Qual o motivo desta tour?
Monstro Mau – Apresentação do 2.º VídeoClip "Como é Bom"

Fenther – Em poucas palavras definem o novíssimo single "Como é bom"...
Monstro Mau – É uma música que traduz um bocadinho a vertente mais calma e sensível do Monstro Mau, que para além de aterrorizar por onde passa, também tem um coração. Como nós.

Vitor Pinto




O Fenther esteve à conversa com Noiserv a proposito do seu album de estreia.

Fenther – Quem veste a pele de Noiserv?
Noiserv – David Santos, nascido a 7 de Abril de 1982 em Lisboa...Licenciado em Engenharia Electrótécnica e computadores...e recentemente a estudar música...

Fenther – Como nasceu esta ideia?
Noiserv – Ao ser um projecto de uma pessoa só, acaba por ser algo bastante pessoal não tendo por isso uma filosofia ou uma "ideia" pré-concebida à partida...acabou por ser algo que se foi construindo à medida que me fui apercebendo da minha paixão pela música do que com ela podia tentar transmitir...Teve talvez o seu momento inicial quando numa tarde, tive de decidir um nome para enviar uma maquete para concorrer ao termómetro unplugged do ano de 2005...e ficou "noiserv"...

Fenther – Quais os objectivos de Noiserv?
Noiserv – Como referia anteriormente é um projecto muito pessoal e dessa forma tem como objectivo conseguir de uma forma nem sempre clara transmitir o que me vai na cabeça...o que nem sempre é fácil...mas tento...

Fenther – «One Hundred Miles From Thoughtlessness» foi um trabalho dificil de elaborar?
Noiserv – Este disco acabou por sempre um processo de crescimento sobre o que era noiserv em 2005, Ep editado pela merzbau...e o que é agora...foi por isso um processo longo de perceber o que faria ou não sentido...até que ponto estaria a afastar-me ou não do essencial... O próprio nome significa essa viagem de afastamento do "Thoughtlessness" - (o não pensado) noiserv de 2005...

Fenther – Excelente grafismo! A quem se deve?
Noiserv – O grafismo deve-se na sua totalidade a um trabalho de equipa entre mim e a minha prima Diana (www.dianamascarenhas.com) pessoa em quem confio 100% para tentar transcrever aquilo que ela própria intitula de "ideias parvas do david"...

Fenther – E a ideia do lápis adicional?
Noiserv – Quando me apercebi que o disco era um bloco de notas de pensamentos e vivências minhas...e que eu própria ao revive-las, era capaz de modifica-las sempre um pouco...quis que quem as ouvisse pudesse fazer o mesmo...e como os próprios desenhos são passiveis dessas mesmas mudanças...achei que acrescentar um lápis dava a cada um o poder de acrescentar algo se assim fizesse sentido...e poder à sua maneira completar o que eu deixei incompleto...

Fenther – Onde te inspiras ou quem te inspira?
Noiserv – Não existe nada em que me inspire dedicadamente...acaba por ser o dia-a-dia que me dá vontade de fazer esta ou aquela música...este ou aquele bocado de uma outra música...

Fenther – Tens tocado ao vivo? Por onde?
Noiserv – Felizmente tenho tocado bastante, praticamente por todo o país...o que me permite mostrar o que faço a muitas pessoas...e julgo que isso é claramente o mais importante...relativamente a datas tenho sempre a informação actualizada em www.myspace.com/noiserv ou então www.noiserv.net...

Fenther – As reacções a este trabalho? Tens conhecimento?
Noiserv – As reacções que tenho tido conhecimento tem sido bastante boas, o que me dá uma grande vontade de fazer mais e mais...e um grande sentimento de dever cumprido, uma vez que a música são sentimentos e se de alguma forma conseguimos que esses sentimento cheguem as pessoas tudo faz muito sentido...

Fenther – Depois desta caminhada, o que podemos esperar de Noiserv?
Noiserv – Nem eu sei bem o que posso esperar...mas... vou tentar caminhar de novo...e que no fim da nova caminhada...tudo faça de novo sentido...

Fenther – Como está a musica Nacional actualmente na tua opinião?
Noiserv – Sinto que a música em Portugal está a evoluir ou pelo menos julgo que cada vez menos existe o sentimento "Isto é português, isto é mau" porque realmente não é mau...acho que é necessário Portugal conseguir de alguma forma uma internacionalização mais intensiva dos seus músicos...uma vez que tanto a nível de experiência/reconhecimento/confiança isso terá um papel muito importante..
Julgo também que há uns anos atrás era complicadíssimo ter músicos que admirássemos em Portugal, hoje em dia tudo passa por Portugal, só é preciso que também passem por Portugal, e com reconhecimento, os Portugueses...mas acho que as coisas andam a acontecer...

Vitor Pinto






O Fenther e a Garagem conversaram com Alec Empire antes da actuação em Portugal.

Fenther/Garagem – Em tempos referiu numa entrevista, que acima de tudo se considera um DJ, uma vez que gosta de testar os seus sons junto de um público, para mais tarde desenvolver um som final. O que mudou desde a queda do muro de Berlim, relativamente à receptividade do público?
Alec Empire – O mundo inteiro mudou desde a queda do muro de Berlim. Naquela altura os DJs e produtores partilhavam um sentimento de que fariam parte da invenção da música electrónica , ou pelo menos que elevariam a música a outro nível. Era muito gratificante. Eu penso que nestes últimos anos, a maior parte das técnicas musicais e ideias que tivemos na altura, foram aceites pela maioria do publico. Quando eu falo e trabalho com DJs mais novos eu denoto que eles acima de tudo têm muito respeito pela história que nos fizemos. De certa maneira isto preveniu-os de irem contra as regras. Por outro lado nos tínhamos a vantagem da nova tecnologia, nomeadamente a tecnologia do sampling, que na altura era algo inovador que convidava toda a gente a experimentar. Desde aí as coisas têm melhorado em termos de tamanho e capacidade de armazenamento, mas a ideia embrionária manteve-se a mesma.
Uma vez que eu cresci numa época de mudança, estou sempre à procura de algo diferente, ao contrario de trabalhar sob as regras. Se eu tivesse que descrever esta década então teria que usar como exemplo as redes sociais, que explicam quase tudo que se esta a passar. A maior parte das pessoas têm medo de ficar sozinhas, ou de serem rejeitadas pela maioria. Mas ser popular vem com um grande preço. E se uma pessoa quiser introduzir novas ideias e novas maneiras de pensar, especialmente na musica, então temos que correr o risco de confrontar a audiência. Sem isso?.a musica estagna.

Fenther/Garagem – O que está em jogo quando toca música com mensagens politicas?
Alec Empire – Tudo. A minha carreira, o apoio dos meus fãs, a minha vida. Soa dramático, mas é a verdade. A lista daquilo que uma pessoa não pode fazer é longa. Mas uma pessoa mantém a sua integridade, e a longo prazo acaba por pagar, permanecendo mais tempo no cenário musical. Eu recebo ameaças a todo o tempo. A maioria eu ignoro, mas algumas são mesmo sérias. A nossa sociedade está à beira de uma mudança. A maneira como os nossos pais viveram no ultimo século já não faz sentido. Temos hoje em dia a oportunidade de definir o mundo no qual queremos viver. E algumas pessoas não gostam.

Fenther/Garagem – Os ATR eram um banda politica, o teu projecto a solo é mais pessoal, e Bass Terror? O que o inspirou para criar Bass Terror?
Alec Empire – A Bass Terror era altamente virada para a politica quando começou. Surgiu para reagir contra o movimento Neo-Nazi na Alemanha. Desde então o problema tem aumentado. Eu vejo os neonazis como o maior problema que temos na nossa sociedade. A maior parte da nova geração não tem conhecimento desta história e de como esta é perigosa para todos nos. O fascismo esta lentamente a entrar na nossa sociedade. Apesar de aparentar estar diferente, esta mais perigoso que nunca. Eu sempre vi a cultura do "soundsystem" com as suas raízes na Jamaica dos anos 60 como algo que servia para unir as pessoas localmente. Temos visto corporações a tomar medidas para destruir cenas musicais locais em todo o mundo, para poderem maximizar os seus lucros.
Isto já não se trata de entretenimento. Isto é Guerra. Se nos perdermos esta batalha, então iremos enfrentar uma situação na qual as pessoas não poderão exprimir a sua voz. Atrás da cortina estamos a ser confrontados com uma estratégia "Walmart", que é difícil de explicar aos fãs, uma vez que não é muito visível., e é bastante complexa. Nos últimos dois anos eu apercebi-me, ainda mais, do quanto é importante criar e apoiar apoios para os músicos underground, promotores e fãs.

Fenther/Garagem – Acha que também é possível passar uma mensagem na musica electrónica, nomeadamente na musica jungle?
Alec Empire – A musica em si já carrega uma mensagem: Não se conformem! Determinem a vossa própria vida. Uma das partes mais importantes da cultura de DJ é, e eu refiro-me à verdadeira cultura DJ, é que os DJs têm acesso a musica já gravada e mudam-na à sua maneira. Os mixes dos DJs estão sempre a mudar, novas ideias são assim concebidas. O crescimento do indie rock nestes últimos anos afastou a ideia antiga do que era um DJ, um "entertainer", escravo da industria musical. Basicamente o DJ recebe promos, incluindo vários remixes para promover o ?produto? num certo espaço, a um determinado publico, e o nível de criatividade é menos que zero. Isto mata a arte de DJing. Para mim um DJ é o elo que liga um musico, a um produtor a uma audiência. È mais do que uma arte. O DJ reflecte o que esta a acontecer no momento. Ele ou ela podem manipular o som e inseri-lo num contexto diferente. E esta é a base do pensamento independente. E isto é politico.

Fenther/Garagem – O que é que o atrai no drum and bass/jungle?
Alec Empire – Eu adoro o tempo, a maneira como o ritmo é usado e desenvolvido. Eu adoro o impacto das batidas. Idealmente a musica pode mesmo mudar a maneira das pessoas pensar. A maneira como certas ideias são compostas num tema, e mais tarde modificadas. Esta é a parte que mais gosto. Também gosto do facto deste género de musica ser talvez o único género que muda os samples radicalmente. Não se encontra isso em mais nenhum género. A principal prioridade deste género é criar um impacto físico no ouvinte. Para mim, ainda é algo por responder o porque do hip hop ter abdicado desta parte. Houve uma altura que parecia que o drum and bass também iria cometer o mesmo erro, mas de à um ano para cá, que me apercebi que não, porque tem havido muito bons lançamentos.

Fenther/Garagem – O que espera de um regresso ao jungle? Como acha que esta geração ira responder a esse regresso?
Alec Empire – Eu não vejo isto como um regresso. Nos iremos voltar atrás no tempo, recolher o que é bom, e criar algo de novo. Se nos tentarmos recriar algo que já passou, então iremos falhar. E não podemos arriscar falhar. Não agora.

Fenther/Garagem – O que acha do cenário musical presente? Como ira ser no futuro? Que sons podemos esperar ser reinventados?
Alec Empire – Iremos ver a industria musical a colidir. Isto não acontece de um dia para o outro, é um processo e já começou à já alguns anos. Estamos a aproximar-nos de uma grande mudança no que diz respeito à musica. O velho século esta a terminar, e estamos a entrar numa nova época, após alguns anos perdidos num conservadorismo musical. Os tops já não interessam, a imprensa tradicional perdeu o seu poder, bem como a rádio. Esta cada vez mais difícil chegar a um consenso musical na nossa sociedade. E eu penso que não necessitamos mais disso. A musica pop esta a acabar. Esta é uma consequência da globalização. Uma boa consequência.

Fenther/Garagem – Em que aspecto considera a violência necessária? Que mensagem queria passar, quando se cortou em palco com uma gilete?
Alec Empire – O episodio da gilete deveu-se apenas pelo facto de eu estar deprimido na altura. Estou contente de que essa fase já passou e que me posso concentrar na musica outra vez. Para mim a violência faz parte de quem somos. Ninguém gosta de violência. E quando somos forçados a usa-la, deveremos ter a certeza que a temos controlada. A policia na Grécia que assassinou o jovem ultrapassou os limites, e ira pagar muito caro. Nos anos 60, na Alemanha, o Exercito Vermelho participou em algo semelhante. As autoridades têm conseguido manter o seu poder, apenas porque ameaçam a liberdade das pessoas. De onde eu venho, nos temos autoridade porque as pessoas nos respeitam, e não porque temos uma arma apontada às suas cabeças.

Fenther/Garagem – Também compõe bandas sonoras. Como é que uma pessoa que no passado despediu-se da editora Phonogram para ter controlo criativo, consegue trabalhar sob a visão de um realizador?
Alec Empire – Eu apenas trabalho com realizadores que me permitem uma certa liberdade. Para mim cada projecto tem que ser desafiante e interessante. Eu sempre gostei de trabalhar com outras pessoas, desde que haja respeito mutuo. As editoras de renome não respeitam os artistas, mas sim aproveitam-se deles. Isto também acontece no mundo do cinema, mas eu tento evitar esse género de filmes. Todas aquelas bandas sonoras magnificas, foram produzidas de uma maneira única. "Taxi Driver" e "Blade Runner" são óptimos exemplos. Se um realizador conseguir juntar uma boa banda sonoro ao seu filme, toda a gente sai a ganhar. Não há certo ou errado, muitos filmes podem ser interpretados de maneiras diferentes pelo compositor. Por isso é sempre muito intenso. Mas eu gosto disto. Estou sou muito mais receptivo a criticas e mudanças do que as pessoas poderão pensar. Eu gosto de ver as coisas, filmes, de vários ângulos. Os realizadores com quem tenho trabalhado têm apreciado essa minha faceta.

Fenther/Garagem– O que podemos esperar do seu DJ-set no ano novo? Os fãs de ATR terão a oportunidade de ouvir sons dos Atari?
Alec Empire – Sim! Irá ser um set muito espontâneo. Estou ansioso pelo evento. Eu acho óptimo que um evento com este line-up aconteça. Tenho muitas musicas nunca antes lançadas na minha mala.

Fenther/Garagem – Iremos ouvir Alec no microfone?
Alec Empire – Se me derem um, irei usar!

Vitor Pinto / Garagem




O Fenther foi descobrir o que andam a fazer os Dazkarieh.

Fenther – Como estão os Dazkarieh actualmente?
Dazkarieh – Muito bem, a preparar o novo disco. Iniciamos as gravações em Novembro e estamos muito motivados.

Fenther – Por onde tem animado as almas com o vosso enorme espírito festivo?
Dazkarieh – Este ano tocámos essencialmente fora de Portugal. Realizamos a nossa primeira digressão fazendo 10 concertos de seguida na Alemanha. Também passámos pela Polónia, Bélgica e Suíça.

Fenther – Ainda a apresentar «Incógnita Alquimia» ou já com novos temas?
Dazkarieh – No inicio do ano o alinhamento era essencialmente «Incógnita Alquimia» mas a partir de Agosto começámos a tocar já novos temas e, neste momento andamos a experimentar muitas músicas novas ao vivo.

Fenther – Por onde vão passar ao vivo?
Dazkarieh – No próximo ano temos já agendadas duas digressões na Alemanha (uma em Maio de 15 concertos e outra em Outubro de mais 10). Também estamos em negociações para alguns concertos em Itália e na Polónia. Ainda neste ano, temos um concerto em Espanha 25 de Outubro e dois concertos na Alemanha em Novembro para além de um concerto em Lisboa no inicio de Dezembro.

Fenther – Têm sido bem aceite por onde passam?
Dazkarieh – Sim, temos sido muito bem recebidos.

Fenther – Melhor compreendidos do que em Portugal?
Dazkarieh – De uma forma diferente. No estrageiro, somos a banda de fora e por esse motivo as pessoas estão mais receptivas à nossa música. Mas em Portugal também somos muito bem recebidos e temos já um grupo considerável de pessoas que nos seguem e nos acarinham.

Fenther – Preparam já novo disco?
Dazkarieh – Sim, é a nossa grande prioridade neste momento. Esperamos lançá-lo em Março do próximo ano.

Fenther – Vai haver novidades? Podem desvendar?
Dazkarieh – O som está um bocadinho diferente, isto, porque ao longo dos últimos dois anos temos feito muitas experiências nos concertos por um lado, por outro temos alguns instrumentos novos como o cavaquinho, a sanfona e um bouzouki costumizado (um híbrido que mistura baixo e bouzouki) e por fim, como o Baltazar saiu do grupo, temos um músico novo (André Silva) que toca bateria e que vem acrescentar uma nova sonoridade à banda.

Fenther – Como está a musica nacional actualmente na vossa opinião?
Dazkarieh – Está muito boa, há muitos grupos novos a fazer coisas boas e isto em todas as áreas. Acho que cada vez mais a coisa está a florescer. Os músicos já se aperceberam do poder da internet e que não têm de estar dependentes de editoras para fazer e divulgar a sua música.

Vitor Pinto




Conversas animadas com Miguel Dias. O cerebro de Rose Blanket!

Fenther – Como surge este projecto?
Rose Blanket – Surgiu em 2003, na sequência da dissolução de um projecto anterior. Preparei um conjunto de temas e posteriormente convidei pessoas com quem tinha trabalhado em projectos anteriores. A partir daí foi tudo um pouco rápido até ao 1º disco. Um ano, sensivelmente e estávamos a gravar o primeiro longa duração.

Fenther – Até chegares a este disco, qual foi o percurso?
Rose Blanket – Após o lançamento do primeiro disco e de alguns concertos de apresentação, fiquei logo com a sensação de que tinha terminado uma fase e que a partir dali as coisas seriam de forma diferente. Não sabia ainda bem como, mas tinha essa certeza. E de facto de depois de uma paragem mais ou menos longa, distante de tudo o relacionado com Rose Blanket, foi nascendo a vontade de trabalhar novos temas e aos poucos fui iniciando umas gravações caseiras com esboços dos temas e dos arranjos. Quando já tinha aquilo que pensava ser a estrutura do disco já preparada, parti para gravação no estúdio, sendo que não tinha a certeza se seria para mais tarde acabar em edição. Mas as coisas acabaram por ir-se desenvolvendo, surgiram as participações e quando terminou a fase de estúdio já estava grande parte das coisas praticamente decididas: ia editar em nome próprio, recorrendo quer a parcerias para a promoção, com a Let´s Start a Fire, como para a distribuição, com a Compact Records, quer a colaborações para o design do disco, para as fotos, etc…

Fenther – Foi importante a passagem pela independente Bor Land?
Rose Blanket – Sim, estou convencido que foi a melhor opção para a edição do primeiro disco. E até porque se tratava de um primeiro trabalho, o facto de ser editado por uma editora que na altura já tinha um catálogo reconhecido, facilitou um pouco a credibilização do projecto.

Fenther – Foi complicado por este disco cá fora?
Rose Blanket – Não, penso que não. Deu trabalho, claro que sim. Ocupou-me muito o pensamento, mas não foi complicado. É mais ou menos como aquele provérbio, quando tens prazer, ou neste caso, também acrescido de muita vontade, tudo o resto são pormenores.

Fenther – Contente com o produto final?
Rose Blanket – Sim, estou satisfeito. Mas acima de tudo com todo o caminho para o resultado final. É nesse caminho, na criação e na construção que encontro a verdadeira razão para isto tudo.

Fenther – Vindos de bandas tão distintas, como conseguiste reunir todos estes convidados?
Rose Blanket – Os convites foram sendo feitos à medida que os temas iam-se desenvolvendo, e na maior parte dos casos, os nomes foram-me sugeridos e felizmente todos os convites foram aceites. Na verdade, inicialmente só o Miguel Gomes (guitarra) e a Petra Pais (voz), é que já tinha a ideia que queria que participassem. Nos restantes casos foram surgindo de acordo com a vontade e necessidade de trabalhar com determinado instrumento, ou como no caso da Ana Deus, um pouco por acaso pois o tema em questão estava pensado para ser instrumental. No entanto, e o mais importante, é que em todos os casos as melhores expectativas foram ultrapassadas e sinto que em todas estas participações, houve espaço, maior ou menor, para a criatividade de cada um.

Fenther – Identificas-te com o som das bandas dos teus convidados ou admiras apenas o trabalho de cada músico?
Rose Blanket – Identifico-me bastante em por exemplo com o Complicado (Miguel Gomes), talvez aquele de maior identificação e mesmo admiração, mas também por exemplo com La La la Ressonance do André Simão, que felizmente conheci devido à sua participação. De toda a forma, não vejo essa identificação como algo de fundamental e se em muitos casos não conhecia os respectivos projectos, o que é certo é que fiquei rendido às capacidades de todos.

Fenther – O que te inspira? O que ouves regularmente?
Rose Blanket – Pergunta difícil. Particularizando para este trabalho, o que sinto, a esta distância, ainda curta, é que foi tudo muito impulsivo, espontâneo e a certa altura apercebi-me que tal se manifestava nas músicas, nos vários momentos que cada tema parece ter. Acredito que tal será fruto de ter trabalhado de uma forma muito solitária, deixando-me abandonar meramente na observação de sensações momentâneas, menosprezando a necessidade de um sentido para as coisas. Vendo as coisas desta forma, não consigo concretizar propriamente uma fonte de inspiração, tudo se foi passando ora deitado na cama ora no sofá, com a guitarra nos braços, a dedilhar qualquer coisa, aguardando que algo me prendesse, um acorde, um ritmo.
O que ouço regularmente…bem será algo que me deveria envergonhar, mas não ouço assim muita música. Tenho as bandas, os músicos que me arrebataram já há algum tempo e para algo de novo ocupar um espaço dentro de mim, não é fácil. E não tem a ver com exigência! Nada! Na minha relação com o que ouço, a resposta está no que sinto. Se sinto, gosto. Se nada sinto, para quê ouvir? Não me interessa a teorização sobre se algo é bom ou mau, se é original ou cópia. E lá está, vou ouvindo o Nick Cave e os seus Bad Seeds, os Velvet Undeground, a maravilhosa Lhasa,…e mais recentemente descobri os (ou “o”) Smog. Mais recentemente ainda, enamorei-me por Mountain Goats e por uma francesa desarmante, a Emily Loizeau. Tenho que prestar mais atenção ao The National que no outro dia em casa de um amigo, a jogar às cartas soou-me lindamente.

Fenther – Convidados do norte, produção e gravação no norte... Inspira-te os ares nortenhos?
Rose Blanket – É pura coincidência, uma série de circunstâncias tem levado a que quase tudo se tenha passado no norte. Tudo começou num concerto no Porto, ainda antes da gravação do primeiro disco. Aí conhecemos o Rodrigo Cardoso da Borland. Ficou o contacto. A partir daí também surgiu a possibilidade de se gravar com o Paulo Miranda e assim se fez. Neste segundo disco também optei por gravar lá e assim sendo e por uma questão de conveniência para todos, os músicos, com uma ou duas excepções, são quase todos do norte do País. Foram portanto uma série de factores circunstanciais, embora que admito que são ares que me agradam.

Fenther – Como foi trabalhar com Paulo Miranda nos estúdios AMP?
Rose Blanket – No primeiro disco já tinha sido assim, sendo que no primeiro disco o Paulo Miranda teve a seu cargo também a produção, e neste já não. Quer num quer noutro correu bem.

Fenther – Com o novo filho cá fora, segue-se a estrada?
Rose Blanket – Sim, vamos apresentar este trabalho em alguns concertos. Numa primeira fase até ao final do ano e numa segunda fase entre Fevereiro e Março do próximo ano.

Fenther – Por onde vais apresentar este disco?
Rose Blanket – Nessa primeira fase estará centrado em show-cases nas Lojas Fnac, um pouco por todo o País, mais alguns concertos propriamente ditos em espaços maiores e por fim na segunda fase em previsivelmente 3 auditórios/teatros.

Fenther – Podemos encontrar Rose Blanket na net? Onde?
Rose Blanket – Sim, em www.myspace/roseblanket.com.

Fenther – Se tivesses que reduzir o disco numa musica apenas, qual seria?
Rose Blanket – Não seria sincero se o fizesse. Não consigo! E nem sequer vou utilizar esse lugar comum de dizer que vale pelo todo, pois na verdade também não acredito nisso. São 11 músicas, e a isso se resume.

Fenther – Parabéns pelo excelente disco. Muito saboroso. O Fenther quer ouvir todos os temas de «Our Early Balloons» a tocar por ai. Vais-nos ajudar?
Rose Blanket – Obrigado pelas palavras. Enfim, o que posso dizer, o que tinha a fazer na verdade já o fiz. Deu-me muito prazer, foi importante, e agora tudo é de esperar, quem goste, quem não goste. Tudo normal.

Obrigado
Abraço
Miguel

Vitor Pinto






The Great Lesbian Show em exibição!

Fenther – Quem são e como surgem os The Great Lesbian Show?
The Great Lesbian Show – O grupo é constituído por Ondina, Sérgio Lemos, António Manzarra, Nuno Emídio e César Zembla e surgiu porque pretendíamos / pretendemos criar música que sirva como diversão e como escape - para nós e para quem a ouvir.

Fenther – Como surgiu este nome tão bem conseguido?
The Great Lesbian Show – O nome foi inspirado no título de um artigo de uma revista erótica americana dos anos 70. O referido artigo, que se chamava “A Great Lesbian Show!”, era sobre umas senhoras que faziam um espectáculo em Las Vegas e pareceu-nos um bom nome para o grupo. A escolha até foi bem inocente: foi pela sonoridade e porque era divertido.

Fenther – Quem vos influencia?
The Great Lesbian Show – Somos influenciados por imensas coisas – cinema, literatura, música, pessoas, etc. - e somos influenciados por coisas de que gostamos e por coisas que detestamos; neste caso, a estratégia passa um bocado pelo “e se fizéssemos exactamente ao contrário?” … é uma óptima técnica, que aconselhamos vivamente.

Fenther – Definam o vosso som para quem ainda não conhece?
The Great Lesbian Show – Um carrossel que não funciona em círculo, mas em espiral.

Fenther – Sempre tiveram esta atitude punk glamouroso?
The Great Lesbian Show – Sempre fomos punks gamourosos!

Fenther – Na vossa opinião, sentem algum glamour na música actualmente?
The Great Lesbian Show – Há mais glamour num consultório de dentista…

Fenther – Qual é o vosso percurso discográfico?
The Great Lesbian Show – Dois álbuns e duas participações em colectâneas.

Fenther – Novo álbum este ano. Como esta a correr a apresentação?
The Great Lesbian Show – Muito bem, com concertos e inúmeras entrevistas (obrigado por esta!).

Fenther – Foi complicado pô-lo cá fora?
The Great Lesbian Show – Foi mais difícil com o primeiro; neste tivemos o grande apoio da Zounds, que o editou, e do Jorge Ferraz, que o produziu. Acreditaram em nós e isso foi óptimo.

Fenther – Contentes com o resultado final de “You’re Not Human Tonight”?
The Great Lesbian Show – Sim! E quem ouve parece concordar, mesmo quando é necessário insistir numa segunda ou numa terceira audição…

Fenther – Continuam a manter o lema de liberdade absoluta? É regra da casa?
The Great Lesbian Show – É a única regra que vale a pena seguir.

Fenther – Tem sido bem aceites por onde passam? E pelos Media?
The Great Lesbian Show – Regra geral, os concertos correm sempre bem… já é raro aparecerem pessoas que não sabem ao que vão, embora, no recente concerto no Cabaret Maxime, tenham surgido uns turistas à espera de ver outra coisa… em termos de Media as coisas estão a funcionar bem, temos tido apoio das rádios locais, saíram várias críticas positivas ao disco na imprensa e também na net…

Fenther – Tem tocado por onde? Tem havido espaços para vocês tocarem?
The Great Lesbian Show – Tem havido alguns, sim, embora nem todos com as mesmas condições. Os últimos concertos foram em Lisboa e em Leiria.

Fenther – Qual o vosso ambiente preferido? Onde vocês se sentem bem?
The Great Lesbian Show – Nos consultórios de dentistas, onde há imenso glamour…

Fenther – Pelas diferentes salas por onde passam, há mudanças? Preparam concertos específicos?
The Great Lesbian Show – Preparamos concertos específicos pontualmente, quando isso se justifica. Por exemplo, ao tocarmos integrados no Motel X – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, decidimos fazer um concerto que representasse mais o nosso lado cinematográfico…

Fenther – Onde podemos encontrar os The Great Lesbian Show ao vivo proximamente?
The Great Lesbian Show – Estamos a preparar alguns concertos para o Norte do país, onde tocámos ainda pouco…

Fenther – E projectos futuros? Vamos ter novidades em breve?
The Great Lesbian Show – Isso é surpresa…

Fenther – A musica portuguesa? Como a vêem actualmente?
The Great Lesbian Show – Há tanta coisa que se torna impossível seguir tudo, mas, como sucede noutros países, há coisas boas, há coisas interessantes e há coisas más…

Vitor Pinto




Encontro escaldante entre os Dapunksportif e o Fenther!

Fenther – Foi complicado superar as “malhas” do vosso primeiro disco e aparecer agora com outros tantos grandes momentos?
Dapunksportif – Nós temos um “baú” cheio de malhas e ritmos que vamos gravando ao longo do tempo. É uma questão de escolher quais os riffs e trabalhá-los de forma a chegar ao formato canção.

Fenther – Este é um disco mais forte, concordam?
Dapunksportif – Sim, de certa forma pode dizer-se que é mais maturo, a estrada deu-nos inspiração e motivou-nos a escrever canções Rock que reflectissem o nosso espírito sincero e honesto sem recorrer a grandes maquilhagens.

Fenther – Como foi trabalhar com tantos bateristas?
Dapunksportif – Já não é a primeira vez e não será a última. Sempre achámos que seria muito bom poder incluir outras pessoas no seio das nossas músicas. É enriquecedor tanto em termos musicais como pessoais.

Fenther – Foi tudo experiências ou passou por alguma necessidade?
Dapunksportif – Como já dissemos anteriormente não foi a primeira vez que tal aconteceu. Já estamos “batidos” em trabalhar em estúdio com vários músicos e de futuro pensamos em convidar outros instrumentistas.

Fenther – E ao vivo como funcionam? Qual é o baterista de serviço?
Dapunksportif – Somos um banda totalmente Rock: bateria, baixo e duas guitarras. De momento, é o Zé Carlos que está nas baquetas, é o nosso Dave Grohl!!!

Fenther – Como tem corrido as críticas e as reacções a este trabalho?
Dapunksportif – Tem sido boas. A crítica especializada tem dado boas notas e o feedback do público tem sido crescente. Estamos no bom caminho.

Fenther – As críticas menos boas dá-vos mais força?
Dapunksportif – Tens de estar preparado e consciente que a diversidade de opiniões é um valor a respeitar. As críticas de um modo geral têm sido boas. Não vamos “abaixo” com críticas menos boas.

Fenther – A vossa sonoridade tem sido bem aceite? Um rock poderoso…
Dapunksportif – Sim, a aceitação tem sido muito boa. Apesar de não termos um “hype mediático” o público tem-nos vindo a descobrir aos poucos. “Depressa e bem não há quem”.

Fenther – Peniche não é um grande centro… é dificel expor a vossa musica ai?
Dapunksportif – Sim não é um grande centro mas fica geograficamente no Centro de Portugal o que nos permite aceder tanto ao Norte como ao Sul e Interior, as distâncias são praticamente as mesmas. Por aqui não existem muitos locais virados para a música original. É uma pena, porque pensamos existir um “público adormecido” que precisa de ser acordado e educado a procurar aquilo que por cá se vai fazendo em termos musicais.

Fenther – A edição ficou por vossa conta? Porquê?
Dapunksportif – Sim em parceria com a nossa agência de espectáculos, Lisboagência. Foi um passo natural tendo em conta o mercado.

Fenther – Por onde passa o futuro dos Dapunksportif?
Dapunksportif – De momento, vamos continuar a tocar por Portugal mas queremos alargar fronteiras. Tem de se ir com calma ao encontro das pessoas certas. O custo de vida aumentou e não podemos ir “à maluca”. É um caminho longo…

Fenther – Tem tocado por onde? Algum momento para mais tarde recordar?
Dapunksportif – Um pouco por todo o Portugal Continental incluindo os Açores. Fomos por seis vezes a Espanha. No total já demos cerca de 110 concertos em três anos. Sabe sempre a pouco. Queremos mais!
Já tivemos situações para todos os gostos. Quando tocámos na primeira parte dos Xutos no Coliseu dos Recreios em Novembro 2005, foi um momento de grande responsabilidade e adrenalina. Era o nosso sexto concerto!

Fenther – Vão tocar por onde em breve?
Dapunksportif – Na segunda quinzena de Julho vamos ao Festival na Serra da Estrela dia 18, dia 25 no Cais de Vila Nova de Gaia e no dia a seguir estamos em S.Martinho do Porto no Festival Rock no Atlântico II. Em Agosto vamos estar dia 16 em Peniche e dia 22 em Guimarães, no Festival Barco Fest.

Fenther – Os vossos concertos são deliciosamente intensos e envolventes! Sentem-se a Vanessa Fernandes do Rock?
Dapunksportif – De certo modo temos de ter muita resistência psíquica e pulmão, para levar avante esta “embarcação”.

Vitor Pinto




Projecto Fuga em conversas com o Fenther!

Fenther – Como nasceu este projecto?
Projecto Fuga – Foi através de composições soltas que tinha composto ao piano. Depois foram surgindo convites a músicos de várias vertentes sonoras e mais tarde convites a cantores / cantautores para dar voz aos temas que na génese do projecto eram instrumentais. Pelo meio surgiram as palavras da Maria Pedro, a nossa letrista que muito engrandeceu os temas do Projecto. Todas as pessoas que passaram pelo colectivo foram altamente importantes para despoletar, aos poucos, a identidade sonora desta viagem a que chamei Fuga. Uma das entradas principais para o Projecto foi o Milton Batera, apresentado pela Maria Pedro. Através deste elemento foi surgindo convites a outros músicos que agora integram o núcleo base. Também compôs o tema Sem Pressas e é co-autor noutros temas do disco.

Fenther – A ideia inicial, sempre foi ter convidados em todos os temas?
Projecto Fuga – O resultado final não foi esse, visto que a Ana Deus está em 3 temas, mas os temas foram sugerindo vozes para protagonizá-los e os convites foram sendo aceites o que ajudou na multiplicidade de estéticas e de interacção entre músicos. De início a ideia inicial não foi esta, mas naturalmente, o leque de convidados ia sendo maior o que motivou também escolha de mais vozes para estarem presentes neste trabalho.

Fenther – Foi complicado editar este disco, pelas vossas próprias mãos?
Projecto Fuga – Teria sido mais complicado se não tivéssemos ganho o Prémio para a edição de disco SPA / ANTENA3. Esse prémio permitiu-nos editar, o que teria levado muito mais tempo se tivesse sido processado nos trâmites habituais.

Fenther – Falta de interesse por parte das editoras ou opção livre?
Projecto Fuga – Tivemos reunidos mais que uma vez com editoras, mas achámos que numa primeira fase, seria melhor termos rédea sobre todo o nosso trabalho. Não foi uma questão de liberdade mas sim de continuarmos a filosofia de trabalho que foi sendo feito ao longo dos anos.

Fenther – Tens já conhecimento das criticas feitas a este disco? E estás de acordo?
Projecto Fuga – Sim, temos tido conhecimento de algumas críticas que têm saido nos orgãos de comunicação social e penso que uma crítica é algo muito pessoal, mas em 95% das críticas tenho concordado e tem sido muito abonatório para o trabalho que agora estamos a promover. Houve muita compreensão na linha e no objectivo que tentámos transmitir a quem ouve o nosso disco.

Fenther – A pré edição foi feita on line no vosso site www.fuga.pt . Foi bem aceite? Resultou? Tiveram muitas visitas?
Projecto Fuga – Achamos que foi positivo. Não temos ideia de quantas visitas mas a internet foi e sempre será para nós uma das ferramentas mais utilizadas, já que nos próprios convites aos colaboradores do colectivo foi, em alguns casos, através do perfil pessoal de MYSPACE ou por email e por isso achamos que a internet foi fulcral para mostrar a nossa música e receber um feedback pessoal de vários pontos do mundo, inclusivé o Brasil que é um território em que temos muita curiosidade em sentir a reacção à nossa música.

Fenther – Como surgiu esta ideia? Será para repetir?
Projecto Fuga – Não é uma ideia nova, nem revolucionária. Foi uma consequência natural da forma como temos trabalhado até aqui. Iremos repetir com certeza.

Fenther – Como funcionam vocês ao vivo? Tem alguns dos convidados?
Projecto Fuga – Ao vivo temos uma banda base. Um núcleo duro constituído pelo MILTON BATERA na bateria, o RICARDO MOURA no baixo, o VASCO TEODORO na guitarra, a ROZETT na voz e eu nos teclados. Achamos que ao vivo é o melhor habitat para estes temas que compõe “01” ganharem uma vida mais significativa. Em alguns concertos iremos ter convidados.

Fenther – Vão tocar por onde futuramente?
Projecto Fuga – Temos agora agendadas 10 datas depois da festa de lançamento que aconteceu no passado dia 7 deste mês no Auditório da Sociedade Portuguesa de Autores. Estas são datas são showcases nas FNAC’S. Começamos no dia 18 de Julho em Coimbra e terminamos a 10 de Agosto na FNAC do Algarve Shopping. No dia 24 de Julho temos um concerto completo na sala ONDA JAZZ em Lisboa.

Fenther – Depois de tudo isto, vamos ter a aventura 02?
Projecto Fuga – Com certeza! Caso contrário o 0 não faria sentido…

Fenther – Tens mais convidados em carteira?
Projecto Fuga – “O segredo é a alma do negócio”… É esperar para ver/ouvir…

Fenther – Como vês a musica nacional actualmente?
Projecto Fuga – Está com muita qualidade, de boa saúde e começa a haver mais espaço e alternativas para mostrar os sons que vão sendo criados no nosso país. A rede de teatros está cada vez com mais qualidade e nota-se uma maior assertividade a nível da gestão cultural dos Auditórios/Centros de Artes. O terreno está fértil, há que regá-lo para brotar algo forte.

Fenther – Escolhe um tema deste 01…
Projecto Fuga – MARACATURAMA.

Vitor Pinto




You Should Go Ahead em discurso directo. Novo álbum na rua!

Fenther – Um regresso algo demorado... Voltaram só quando perceberam que tudo estava perfeito?
YSGA – Passaram apenas dois anos do lançamento do 1º álbum… apesar de nos parecer uma eternidade. Inicialmente pensámos em editar no final de 2007, mas era humanamente impossível! Produzimos o disco com alguma calma, tentámos ser perfeccionistas! Não se trata de procurar o cenário perfeito mas de conjugar todo o trabalho que envolve um novo disco.

Fenther – Uma das vantagem de se fazerem as coisas pelas próprias mãos, é precisamente não haver pressões nem datas. Foi por isso que partiram para uma producão caseira?
YSGA – Apesar de termos sido os produtores, a produção não foi caseira. Investimos bastante e pela 1ª vez sentimos que estávamos a fazer um trabalho “profissional”. Sentimos que melhor do que ninguém sabíamos o que queríamos. Essa vantagem rapidamente se transforma numa grande desvantagem porque não temos ninguém a impor-nos nada a não ser nós próprios. Isso implica uma disciplina que por vezes é difícil de encontrar...
Foi só aplicar a experiência passada e tudo correu na perfeição.

Fenther – Contentes com o resultado?
YSGA – Muito! Mas somos auto-críticos o suficiente para apontar o dedo a alguns detalhes que poderiam melhorar.

Fenther – Apostaram muito na imagem? O digipack e a originalidade do disco, tem como objectivo marcar a diferença?
YSGA – Apostámos em ter uma imagem coerente com a música. Foi um processo mais abrangente que envolveu som, imagem, comunicação e tudo o que envolve o lançamento de um disco para o mercado. Um disco vale pela música que contém mas também pelo objecto em si, e pensamos que isso foi conseguido, tentámos criar um objecto de colecção! Algo de único, pelo menos para os próximos tempos!

Fenther – Este vosso segundo disco traz um tema bónus, que só pode ser escutado num leitor de vinil. Como surgiu a ideia?
YSGA – A ideia surgiu em conversa com a editora (EDEL). O mercado está em revolução e é preciso valorizar a parte física do disco de modo a despertar o interesse das pessoas. Uma faixa em vinil no CD pareceu-nos uma ideia original e adequada. Adorámos! É um híbrido...

Fenther – Como tem sido as reacções?
YSGA – Tal como esperávamos, toda a gente ficou entusiasmadíssima!

Fenther – Qual é o tema?
YSGA – Vicious Wife

Fenther – Alguma brincadeira aos Vicious Five e X-Wife ou trata-se de um tributo?
YSGA – Começou tudo com uma ideia para a criação de uma t-shirt… um misto de brincadeira com tributo! Mais tarde, precisava de um nome para um tema que falava de uma mulher “com vícios” que “explorava “ o marido! Pareceu-nos indicado o nome, deixou de ter ligação mas ficou com o nome.

Fenther – Vocês ainda gostam de vinil?
YSGA – Gostamos claro! É um objecto que nos marcou a infância! Ouvir um vinil é um ritual, não é como ouvir um CD.

Fenther – Porque não editar os vossos dois discos em vinil?
YSGA – Porque não há... disponibilidade (se é que nos entendem)! Mas está aí uma boa ideia para o pack de Natal 2008 dos You Should Go Ahead! Uma forte possibilidade…

Fenther – "Emotional Cocktail” porquê?
YSGA – Porque este disco é composto por temas bastante diferentes entre si mas que fazem sentido juntos. São “ingredientes” com conta peso e medida, tal como num cocktail. Não se trata de uma mistura aleatória mas de uma conjugação harmoniosa.

Fenther – Este é um disco diferente do primeiro?
YSGA – Em determinados momento sim, noutros é apenas um desenvolvimento do 1º. É um disco variado, com linguagem variada mas dentro de um contexto! O primeiro tinha alguns momentos, que apesar de interessantes, não faziam parte do contexto… A composição, apesar de não termos alterado a metodologia, é fruto de um maior conhecimento entre nós, de maior diálogo entre instrumentos. Tentámos dar um passo em frente, experimentar coisas diferentes, ser mais arrojados.

Fenther – Consideram-no mais dançavel ou assumidamente mais 'emo'?
YSGA – Respondendo em inglês: both! Achamos que esse é um dos pontos forte do disco! Tal como a nossa vida é cíclica, o disco também o é.

Fenther – Tem concertos de apresentação deste álbum marcados para breve?
YSGA – Temos, o ideal é estarem constantemente atentos à nossa página do MySpace http://www.myspace.com/ysga Estão sempre a aparecer novas datas… Destacamos o dia 21 de Junho no Santiago Alquimista, onde vamos fazer o concerto oficial de lançamento do disco.

Fenther – Houve uma experiência por vossa parte no Texas no festival SXSW (south by south west)... Quando foi?
YSGA – Em Março de 2007

Fenther – E valeu a pena?
YSGA – Claro que sim! Aprendemos muitas coisas novas. Serviu para perceber que há uma longa estrada a percorrer, mas também serviu para nos valorizarmos… Muitas pessoas nos questionam acerca de resultados directos da nossa ida ao SXSW. Não há! Mas aprendemos muita coisa e conhecemos pessoas interessantes, lógicas diferentes... é uma perspectiva diferente.

Fenther – Esperam lá regressar novamente?
YSGA – Claro que sim! Já em 2009.

Fenther – E em que outros locais gostariam de tocar?
YSGA – Em alguns Festivais de Verão Europeus e talvez voltar a NYC! Mas...em todo o lado em que nos queiram ouvir!

Fenther – Mensagem final….
YSGA – Oiçam o disco, vale muito a pena! Depois sigam em frente… pelo menos deviam!

Vitor Pinto




Conversa com os Linda Martini a proposito do seu novo registo!

Fenther – Os Linda Martini tentam marcar a diferença? É um ideal primário da banda?
Linda Martini – Só no sentido em que a banda foi feita para experimentarmos coisas diferentes das que fazíamos nos projectos anteriores. Claro que tentamos também não repetir o disco anterior a cada edição. Estagnar é morrer e esse não é de todo o nosso plano.

Fenther – Como nasceu esta ideia excelente de editar um vinil e embrulha-lo num saco?
Linda Martini – Estávamos quase a entrar em estúdio e decidir pormenores no que ao artwork dizia respeito quando o Pedro entra numa dessas tertúlias com um saco na mão e fez-se luz. Decidimos meter o disco num saco e fazer deste a sua capa. Depois a rastilho sugeriu incluir-se um cd-r com os mp3 do ep e o objecto final foi tomando forma.

Fenther – Sentem que estão cada vez mais no topo da música nacional? Sentem alguma pressão ou desafio?
Linda Martini – Sentimos que estamos um pouco mais longe do fundo. O caminho para o topo ainda é longo. Temos a noção de onde estamos e vamos deixando as coisas acontecerem a seu tempo. Quanto a pressão, só aquela que impomos a nós próprios. Encaramos cada disco como um novo desafio e como já referimos acima, queremos sempre fazer algo diferente de edição para edição.

Fenther – Este EP poderia ser um álbum. Porque não o assumiram como tal?
Linda Martini – Não tem tempo suficiente para ser chamado de álbum. Para isso teria que ter 30 minutos. Mas ainda que tivesse, não o faríamos.

Fenther – Seis excelentes temas... Qual o vosso tema eleito?
Linda Martini – Dentro da banda há 5 pessoas, pelo que é difícil chegar a um consenso. Gostamos de todos ou não estariam no disco.

Fenther – Porque Marsupial?
Linda Martini – Marsupial, pela analogia com o saco. Como a edição vem dentro de um saco, achámos que o nome era apropriado.

Fenther – Vão apresentar este trabalho ao vivo por onde?
Linda Martini – Já fizemos algumas datas e neste momento, confirmadas estão:
3 Maio - galeria do desassossego em Beja
11 Maio - enterro da gata em Braga
24 Maio - soundtrack na fábrica de Braço de Prata em Lisboa
28 Junho - rockspot na Bajouca, em Leiria

Fenther – Mais novidades vão acontecer em breve?
Linda Martini – Sim, vão estando atentos ao nosso myspace. Há mais concertos a serem confirmados, bem como a gravação do video de "a corda do elefante sem corda".

Fenther – Sempre com o espírito inovador e com temas perfeitos?
Linda Martini – Essa pergunta foi feita com o intuito de nos deixar corados e como tal não respondemos.

Fenther – Mensagem final...
Linda Martini – Obrigado pela oportunidade e apareçam num dos próximos concertos.
Abraços a todos!

Vitor Pinto




Uma curta conversa com Alex Hacke dos Einstürzende Neubauten...

Fenther – After all this years, what’s the feeling of you guys? How are you now?
Alex Hacke – Very good, thank you.

Fenther – «Alles Wieder Offen» is another adventure of E.N. alone, right? Why do you walk with your own foots and not with a major?
Alex Hacke – We wont be able to find a company that can give to us:
The advance we need
The tour-support we require
The promotional effort necessary

Fenther – Was it your choice or solution?
Alex Hacke – We set up a website, where we ask the fans to directly support the production of a new record.

Fenther – It’s hard to do records without any supports? Does this record gets paid right before the edition, how does this work?
Alex Hacke – It is hard but worth it. About 2000 people paid for the CD or a CD/DVD-combination in advance and we used these funds to produce the new album.

Fenther – Tell us 3 words, how describe this record?
Alex Hacke – Intimate, honest, dynamic.

Fenther – Do you feel this record is your best album ever? Why?
Alex Hacke – Yes, because it represents the current state of the band.

Fenther – Have you planed a tour to show this work all over the World?
Alex Hacke – Yes, we will tour extensively in spring 08.

Fenther – And Portugal? It’s in the plans of E.N future tour.?
Alex Hacke – Yes, I’m sure we will manage to play at least in Lisbon.

Fenther – E.N already played in Portugal. Do you like and know Portugal?
Alex Hacke – Yes, I like Portugal but I don’t speak portuguese.

Fenther – After this new record, will we have more news about the band? Do you have any plans to the future of the greatest German band?
Alex Hacke – After the tour, EN will rest for a while.

Danke!
Vitor Pinto

Porto - Casa da Musica dia 3 de Maio
Lisboa - Aula Magna dia 4 de Maio